Em 1927 dá-se um acontecimento insólito na vida de Suggia: o casamento com o Dr. José Casimiro Carteado Mena de 51 anos de idade.
Conheceram-se em 1923, no Grande Hotel do Porto, num regresso de Guilhermina com a mãe doente. É ao reclamar um médico para Elisa que a informam que um médico tem a residência no hotel.
O Dr. Carteado Mena, radiologista brilhante, Director do Instituto Pasteur do Porto, fixa aí a sua residência depois de se divorciar. A filha única Maria Ana Mena, vive com umas tias numa quinta da família em Viana do Castelo.
Sabe-se que o doutor, personalidade muito respeitada pela burguesia portuense, se desvelará a partir daí em atenções com a mãe de Guilhermina, muito particularmente nas ausências demoradas de Suggia pelo estrangeiro. Desses encontros dá conta a “paciente” em epístolas pormenorizadas a sua filha: ”O Dr. tem um cuidado com a minha saúde.” “O Dr. É muito pontual, não esquece nada, manda sempre os jornais.” “O Dr. É um Santo, tem comprado músicas para a pianola.” “Ele só conhece o bem e gosta de o praticar. Convidou o papá para jantar.” “ O Dr. É um exemplo e envergonha os que não seguem a estrada direita.” “ Nem eu nem o Dr. Podemos viver sem ti.” “Hoje (13 de Novembro de 1926) tive a visita do Dr. Achei-o triste e falou-me a teu respeito. O Dr. está com ciúmes. Vê-se que tem sofrido. Disse-me que a casa está quase pronta e que o jardim está muito bonito.(…) Quando estiver pronta vai viver para lá, não quer viver mais no hotel.”
Antes de tomar a decisão do casamento Suggia tem hesitações. Escreve à irmã sobre as suas dúvidas e pede-lhe opinião. Virgínia diz-lhe em 15 de Novembro de 1926 que “se se é feliz no casamento isso é o melhor que pode acontecer a uma mulher”. Cita-se a ela própria como exemplo de uma mulher absolutamente realizada no casamento.” Mas não sei o que te dizer sobre a possibilidade de casares-te. Se é para ser infeliz é melhor não o fazeres. Minha querida Guil não te fies no mundo e nem mesmo em todos os amigos. Se tiveres por acaso um verdadeiro já é muito. Há gente que não me quer ver por sermos tão felizes. Que miséria é este mundo”.
Na carta de 13 de Novembro de 1926 a alusão da mãe ao casamento de Guilhermina dá a entender que a filha lhe teria confessado dúvidas ou pedido a opinião. “Eu compreendo que em Inglaterra está tudo trabalhando para não casares. Conta comigo para o que quiseres. Nunca esquecerei a bondade do teu coração para comigo, tens sido o meu anjo protector”.
O casamento realiza-se com privacidade e discrição no dia 27 de Agosto de 1927, sendo o ourives Manuel Reis e o escultor Teixeira Lopes os padrinhos.
Suggia muda para uma casa que o doutor comprou também na rua da Alegria, mas no nº 665, permanecendo os pais no nº 894. Guilhemina faz desta casa um “home britânico” – os móveis desembarcam de Londres no porto de Leixões -, a que não faltam muitas rosas pela casa e a sua colecção de tapetes persas.
do livro "GUILHERMINA SUGGIA- A Sonata de Sempre" de Fátima Pombo