março 20, 2004

Negócio Aceite- Casa da Rua da Alegria

Dois dias depois, incansável, escreve Augusto Suggia a carta apaziguadora, breve, própria de quem tem de repousar de grandes fadigas.


Porto, 19-11-1924

Guilhermina Querida,
Escrevo-te à pressa. Enviei-te agora telegrama dizendo que consegui a casa por 140 contos. Custou. Foi uma batalha de palavras e esforços, mas sempre consegui. Tive de dar 8 contos de signal, e o homem diz que tem de se fazer as escripturas dentro de 8 dias. Também há a despeza da Ma... que deve importar n'uns 6 a 8 contos mas vou arranjar em pôr a casa em menos preço, para pagar menos contribuição. Farei tudo com muito cuidado e tino. Hoje ainda gostei mais da casa. Deus permitia que fiques contente. Mas parece-me que sim. Mando-te aqui uma fotografia da casa, mas a máquina não a apanhou toda. As janelas rentes da rua, em baixo são muito grandes, e falta ahi a plati... e as águas furtadas, que são muito boas, etc... etc... ao todo 4 pavimentos.

É preciso cuidar no seguro da casa. Isto é importante, porque a casa pegada a esta, está ainda em construção e pode haver qualquer descuido, e era um desastre. Eu escrevi-te carta no dia 17. Espero ancioso as tuas respostas. Não posso escrever mais.
Deus te proteja e à nossa mãe, e que Deus te pague o que fazes aos taes velhinhos.
Saudades e beijos do teu pae velhinho

Augusto Suggia
- Saudades da Felisbella.


Do livro “GUILHERMINA SUGGIA- A Sonata de Sempre” de Fátima Pombo

Publicado por vm em março 20, 2004 12:58 AM
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