1937 (sem referência do jornal, dia ou mês)
Rui Coelho, ao afirmar que Guilhermina Suggia é uma intérprete genial, diz que o faz com prazer e com mágoa.
«Prazer, porque admirar nos consola. Mágoa, porque raras vezes as podemos escrever, Guilhermina Suggia-Mena tem frequentado pouco o nosso acanhado meio musical.
Oxalá o seu fogo sagrado agite mais vezes as almas dos que aqui desejam ansiosamente ouvir música, livremente, sem sujeições ao que na música tantas vezes serve para não dar aos espíritos, o que eles afinal nela procuram: o espírito das obras e não os seus efeitos técnicos; a alma da música e não o mistério mecânico dos seus segredos de laboratório.
Guilhermina Suggia-Mena teve na orquestra dirigida pelo maestro Pedro de Freitas Branco, tanto no Concerto de Lalo. como no de Saint-Saëns, e no resto do programa, uma colaboração justa, atenta, elegante e muito valiosa».
Eis o cúmulo do cinismo!
A quem convinha que o meio musical fosse acanhado, senão ao nosso "ruim coelho"?
Quem queria assambarcar o monopólio da regência de ópera no S. Carlos, como se pode ver, já em 1925, - antes do 28 de Maio - num documentário do cineasta Roberto Nobre? Naquele pequeno filme mudo, um garotinho, mascarado de Charlot, imita os gestos de um maestro; e a legenda reza: "Ele está a fazer isto aqui porque não o deixam ir para o S. Carlos reger ópera, como o Sr. Ruy Coelho".