abril 02, 2004

Testemunho de MADALENA SÁ E COSTA

Penso que deveriam haver mais homenagens e concertos em memória da grande violoncelista GUILHERMINA SUGGIA. A sua memória dever-se-ia manter sempre viva.

Em 1950, ano em que ela faleceu, o Conservatório realizou nos jardins um concerto com quatro violoncelos em que toquei com Celso de Carvalho, Carlos Figueiredo e Luís Millet. Mais tarde a Universidade realizou um concerto com vários violoncelistas, em que eu também toquei. Em 1985, ano Mundial da Música a Secretaria de Estado da Cultura convidou-me a colaborar num concerto realizado no Ateneu Comercial do Porto em que tocaram 12 violoncelistas as Bachianas Brasileiras, de Villa-Lobos, dirigidas pelo Dr. Manuel Ivo Cruz. Em 2001 houve um concerto para fazer lembrar a memória de GUILHERMINA SUGGIA, no Teatro Rivoli, com o magnífico violoncelista Mischa Maisky.
Ainda a Fundação Engº António de Almeida mandou esculpir um busto de SUGGIA que está num dos jardins da Cidade. Tudo isto, a meu ver, é pouco, quando se foi tão grande. Sobretudo acho que o Conservatório de Música do Porto deveria não esquecer a fantástica oferta que Suggia fez aos alunos daquele estabelecimento de ensino.
Lembrei-me de oferecer ao Conservatório este livrinho que hoje lhe estou a enviar(1) e juntamente escrevi uma carta à Presidente da Direcção do Conservatório, sugerindo a instituição na Escola, de um dia, cada ano, "GUILHERMINA SUGGIA”. Estou satisfeita que de agora em diante o dia 21 de Maio será de música pelos alunos para ser lembrada a grande violoncelista. Também o violoncelo “Montagnana” é, para mim, outro problema. A Câmara tirou-o do Conservatório e levou-o para o Museu Soares dos Reis. Deveria ser garantida a sua manutenção sonora. Ser tocado constantemente pelos premiados “Guilhermina Suggia”.
Alguém me pediu que escrevesse um trabalho sobre a maneira como SUGGIA tocava, porque não se conhece nada específico. É claro que não se pode dar uma ideia em palavras. Mas estou a tentar fazer um trabalho porque a ouvi muitas vezes com meus pais em privado e em concerto. E também com orquestra.
Foi tão grande o seu talento, a sua Arte, que a sua memória nunca devia ser apagada.


(1)trata-se do livro da autoria de Madalena Sá e Costa “Prémios Guilhermina Suggia do Conservatório de Música do Porto"

MADALENA SÁ E COSTA, violoncelista, professora de violoncelo (ex-aluna de Guilhermina Suggia)

Publicado por vm em abril 2, 2004 03:14 AM
Comentários

Pelo que julgo saber o Montagnana foi deixado por testamento à Câmara Municipal do Porto, de quem dependia nessa altura o Conservatório de Música, para ser vendido e com o produto dessa venda ser instituído anualmente o prémio "Suggia" ao melhor aluno de violoncelo desse conservatório.
Pergunto:
Com que direito a Câmara se faz proprietária do violoncelo ( neste momento o mantém fechado num cofre do Museu Soares dos Reis) e o desejo de Suggia foi apenas cumprido 5 anos?
Quem poderá resolver estas coisas?
Será que uma "usurpação" feita por uma entidade como a Câmara do Porto não pode e não deve ser remediada, e o desejo testamentário não deve ser cummprido?

Quem pode fazer por isso?

É urgente que alguma coisa se faça, sob pena de sermos todos coniventes numa fraude.

Afixado por: Nuno Castro em abril 3, 2004 12:03 AM

De facto assim é. O Montagnana foi deixado, por testamento, à CMPorto, entidade de quem dependia na altura o Conservatório de Música do Porto, para ser vendido e com o produto da sua venda ser atribuído anualmente úm prémio ao melhor aluno de violoncelo daquele Conservatório.
Parece que a Câmara atribuíu um valor de 500.000$oo ao violoncelo e ficou proprietária do mesmo. Perante a lei, parece que a compra efectuada é válida. Não obstante nunca ter saído dos Cofres da autarquia essa verba.
Verdade ou não, o que é lamentável é que o desejo de Suggia foi apenas cumprido 5 vezes: foram atribuídos os seguintes prémios:

1953-Maria José Ribas Gonçalves de Azevedo
1955-Maria da Conceição Ferreira de Macedo
1963-Maria Isabel Martins Delerue
1979- Paulo Gaio Lima
1986-José Augusto Nunes Pereira de Sousa

É pouco. É triste. É de lamentar.Tanto mais que um violoncelo tão importante não seja sequer usado nem como peça de museu.(Embora esteja no Museu Soares dos Reis, creio que se encontra dentro dum cofre). Na verdade o violoncelo vale centenas de milhares de contos. Isso mesmo! Suggia bem merecia que a sua vontade fosse cumprida. Não seria nenhum favor. É uma obrigação.
Que esta falta seja reparada e com toda a urgência. É um roubo a não atribuição do prémio.

Afixado por: vm em abril 3, 2004 06:19 PM

fico feliz quando leio e conheço alguem que esteve ao lado da pessoa mais fantastica que conheci- o meu Padrinho : Celso de Carvalho

Afixado por: rosa maria nascimento em maio 9, 2004 04:23 AM

oportunamente será transcrita parte de uma entrevista radiofónica conduzida por D. João da Câmara a ao violoncelista Celso de Carvalho, aluno de Suggia

Afixado por: vm em maio 9, 2004 09:02 AM