Para além-fronteiras, foi em Inglaterra que se prestou Inteira justiça ao talento extraordinário de GUILHERMINA SUGGIA, que tinha algo de genial. Se é legitima a distinção entre intérpretes intelectuais e impulsivos, nenhuma comparação a pode ilustrar melhor do que a que se fizesse entre Viana da Mota e Guilhermina Suggia.
Exceptuadas as peças de bravura, nomeadamente as de Liszt, em que Viana da Mota era magistral, os grandes monumentos do pensamento beethoveniano, ou de João Sebastião Bach, foram as coroas de glória do eminente pianista, enquanto a inconfundível violoncelista portuense atingia o seu máximo em páginas como os concertos de Saint-Saëns, de Lalo, Dvorak ou de Elgar, como as Variações de Boëllmann ou, no género miniatural, a transcrição da Habanera, de Ravel. Fascinava então o público pela fibra da interpretação, a elegância da linha melódica, a vivacidade do ritmo, a graça de uma simples inflexão da frase, tudo como se fosse inteiramente espontâneo, transfigurando o imenso labor de preparação necessário a qualquer artista de craveira.
Viana da Mota e Guilhermina Suggia formaram escola em Portugal e a sua acção pedagógica reflecte-se hoje em considerável número de pianistas e violoncelistas de merecimento, alguns em vias de carreira internacional.
Do livro “História da Música Portuguesa” de João de Freitas Branco
Existe até um prémio em Inglaterra, muito considerado, com o nome de Guilhermina Suggia.
Afixado por: leonor em abril 14, 2004 01:55 AMEssa foi uma das vontades de Suggia, expressa no seu testamento (Ver TESTAMENTO DE GUILHERMINA SUGGIA). Deixou o seu Stradivarius a Londres com esse fim e o seu Montagnana ao Porto para tb ser instituído em Portugal um prémio anualmente, ao melhor aluno de violoncelo do Conservatório do Porto.
Em Londres continua a ser atribuído. É muito prestigiado e fazem honra nele. Em Portugal foi atribuído 5 vezes, lamentavelmente.