abril 22, 2004

Desenho de António Carneiro (Après un Rêve)

Publicado por vm em abril 22, 2004 02:34 PM
Comentários

Sanguínea de António Carneiro (1923)
Existente no Conservatório de Música do Porto

Afixado por: vm em abril 23, 2004 12:58 AM

Se eventualmente não se souber, este António Carneiro irmão do compositor Carlos Carneiro.

Afixado por: carlos a.a. em abril 26, 2004 05:38 PM

Penso que António Carneiro era pai de Carlos Carneiro, pintor modernista e irmão do compositor Claudio Carneiro. Estarei errado?
Penso ter trocado o nome do irmão pelo do filho.
Contudo, não estou certo.

Afixado por: vm em abril 26, 2004 07:45 PM

Nunca estamos contentes com o que temos!
Como ficava bem aqui o som da bela canção de Gabriel Fauré, "Après un Rève", interpretada por um grande violoncelista, a acompanhar este suave desenho a lápis sanguíneo que retrata, de uma só vez, a figura e a arte da grande Suggia! Em traços vagos, o violoncelo envolve-a, junto com as suas roupagens, como que fundindo tudo num só corpo.
António Carneiro, poeta e pintor, (pai de outro pintor, Carlos Carneiro, e do grande compositor Cláudio Carneiro, cuja viúva teve a bondade de me mostrar, há mais de 20 anos, a parte do espólio artístico da família que lhe coube, em herança) reflectia o seu idealismo simbolista, não só nas paisagens que pintava mas também nas fisionomias que desenhava. Tal como faziam, às imagens irreais, por elas criadas, os pré-rafaelitas ingleses, o nosso pintor adoçava as marcas que as lutas desta vida deixam nas fisionomias, elevando os seus retratados a um ideal quase angélico.
Não obstante, reconhecemos bem esses modelos, um tanto transfigurados pelos “ sonhos de beleza” do seu autor, como escreveu, em “Cartas de Torna Viagem”, Eugénio de Castro – também, por ele, assim retratado : “ (...) esse olhar, dotado de um prodigioso poder de penetração, devassava os recessos mais íntimos da minha personalidade (...). Em frente de tais retratos, um datado de 1915, e outro de 1923, tenho ainda hoje a impressão, não de que me vejo a um espelho, mas de que estou fazendo o meu exame de consciência”. E, mais adiante, o poeta de Coimbra - também ele tão injustamente ausente da memória dos portugueses - reconhecia “a astuciosa evidência com que (o pintor) privilegia certas linhas e feições...”.
Este desenho é pois o complemento indispensável de tantos outros que existem da nossa violoncelista, esquecida pelos seus compatriotas – e até pelos seu conterrâneos portuenses – mas não pelos meios musicais estrangeiros.

Afixado por: Ana Maria Costa em abril 27, 2004 10:25 AM

Desfeitos os equívocos: António Carneiro era afinal pai de Carlos - o pintor , e de Cláudio - o Compositor.

Este desenho de Suggia é, na verdade, obra de um enorme artista. A sua expressão está carregada de um enorme simbolismo. Dir-se-ia que ao olhá-la escutamos mesmo o "Après un rêve"

Afixado por: vm em abril 27, 2004 12:12 PM

Toda a razão na correcção que me fez. A minha indução em erro adveio do facto de o filho, Carlos, ter um traço muito idêntico ao de seu Pai, pelo menos neste retrato.

Afixado por: carlos a.a. em abril 28, 2004 02:45 PM

Para que fique tudo esclarecido. Eu errei por ignorância, dando Cláudio como irmão de António. E não é verdade. António Carneiro, pintor simbolista, era pai de Carlos, pintor modernista e de Cláudio, compositor. Espero que não hajam agora confusões

Afixado por: vm em abril 28, 2004 03:55 PM