abril 24, 2004

CARTA DE ANTÓNIO EÇA DE QUEIROZ

Secretariado da Propaganda Nacional
17 de Janeiro de 1939
Minha Senhora,
Peco-lhe me perdoe a demora que pus em escrever-lhe para confirmar a conversa que tivemos no Porto; um ataque de gripe foi o responsável pela falta involuntária.

Quero, minha Senhora, agradecer-lhe a grande amabilidade com que me recebeu no Porto e o interesse que mostrou pela proposta que tive a honra de fazer-lhe.
O António Ferro ficou-lhe profundamente grato e pede-me que lhe transmita os seus muitos agradecimentos.
Com a colaboração de V.Exa. o êxito das nossas intenções em Londres está de antemão assegurado.
Espero que V. Exa. tenha recebido a carta que o Dr. Oliveira Salazar desejava entregar-me para eu me apresentar a V. Exa.
Renovando-lhe os meus agradecimentos, peço--lhe me creia de V. Exa.....

António Eça de Queiroz

do livro"GUILERMINA SUGGIA-A Sonata de Sempre" de Fátima Pombo

Publicado por vm em abril 24, 2004 12:11 AM
Comentários

Que terá a nossa tão bem relacionada violoncelista pensado desta caricatura mal feita do escritor português então mais conhecido no estrangeiro?
Inúmeras anedotas se contavam, deste representante, tão castiço, do salazarismo, naquele Palácio Foz.
Dizia-se que só servia para encher a Casa com as suas amantes: daí a má fama das funcionárias do SNI; que, colhido em flagrante com uma, explicou ao contínuo ser aquilo o resultado do sangue celta herdado de seu pai; que um estrangeiro, ansioso por saber que teria para contar, acerca de seu pai, um filho do grande Eça de Queiroz, saiu de lá desolado por não ter visto senão um idiota que só sabia gabar-se de que sua mãe era filha dos condes de Resende.
Moral disto tudo: os maiores artistas nem sempre sabem ser os pais mais competentes.
Como seriam os filhos de Mozart, que nunca viam o deles? E os de Schumann que também ficaram sem pai tão cedo?

Afixado por: A. M. Costa em abril 26, 2004 05:04 PM

Erratum: onde se lê "condes", leia-se, p. f., "viscondes de Resende".

Afixado por: A. M. Costa em abril 26, 2004 05:18 PM

Não há dúvida que este poder era ridículo.Prova-o a carta de António Eça de Queiroz. No entanto, eu que tanto admiro a memória de Guilhermina Suggia, sinto um prazer enorme por saber que não se dava ao poder. Os seus "cachets" eram os que cobrava noutros sítios, muito embora os viesse a distribuir por obras de caridade ou, como mais tarde se verá neste blog, ela toca por um preço simbólico para o Círculo de Cultura Musical de Aveiro que estava em situação financeira difícil.

Afixado por: vm em abril 26, 2004 07:57 PM