TEATRO NACIONAL DE S. CARLOS
Círculo de Cultura Musical – 22/1/1943
O segundo concerto dirigido pelo maestro inglês Malcolm Sargent, no Teatro de S. Carlos, realizou-se ontem com um programa – com excepção das “Variações” de Boëllman – consagrado à música sinfónica inglesa só para orquestra e para “celo” e orquestra.
O Círculo de Cultura Musical proporcionou assim aos seus sócios o conhecimento directo de algumas obras mais representativas de Ireland, autor da “Abertura Londres”, de Walton, autor da Sinfonia que fechou o programa, de Delius, autor da “Primavera”, e de Elgar, autor do concerto para violoncelo e orquestra. Este facto de revelação de tantas obras da escola inglesa ao nosso público, merecia largas referências, tanto mais que, por exemplo, só a Sinfonia de Walton, pela sua vastidão, pelo sentido estético, pelo vigor da paleta orquestral, não pode ser comentada com a mesma ligeireza com que se comenta as “Variações” de Boëllman.
Há nesta Sinfonia o momento culminante de todo o programa – num esforço para evitar o lugar comum, na expressão, no ritmo, na côr, e em todos os elementos instrumentais.
Como no concerto anterior, GUILHERMINA SUGGIA esteve como solista e tocou, além das “Variações” de Boëllman, o concerto de Elgar, conservando-se, como era natural, à altura do nome que há muito conquistou.
A orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, sob a direcção nítida e viva do Maestro Malcolm Sargent, especialmente na obra realmente dificílima que é a Sinfonia de Walton, foi digna do título que usa. – RUY COELHO
Diário de Notícias, 23 de Janeiro de 1943