maio 04, 2004

CÍRCULO DE CULTURA MUSICAL- Conc de 25/1/1943

TEATRO DE S. CARLOS – Círculo de Cultura Musical
Concerto de 25/1/1943

A série de concertos da iniciativa do Círculo de Cultura Musical para a apresentação entre nós da moderna música inglesa, terminou ontem, com o mesmo êxito dos anteriores.

É evidente que a revelação da cultura musical de um país numa representação de tantos autores modernos, em obras desconhecidas, como Holst, Walton,Williams, Delius, Elgar, etc. grandes compositores Mestres da orquestra moderna, demais dados na versão fidelíssima de um Maestro também inglês, não podia deixar de constituir, - porque se trata de obra de vocação – o facto principal, o primeiro plano, de todas essas manifestações culturais. E só depois do aspecto criador, - o da revelação de tantas obras – deveríamos considerar o aspecto interpretativo. Foi o que fizemos, porque o contrário seria admitir o absurdo. “A obra é única”. Os diversos intérpretes chegam depois . Oxalá essa lição dada em três concertos por “um” grande e competente maestro inglês, - lição de amor à cultura musical da sua terra – sirva de exemplo.

Fez Malcom Sargent, em três concertos, o que normalmente, em anos de trabalho muitos não conseguem. Ontem Malcom Sargent tocou as seguintes obras: “Música Aquática de Haendel-Harty; “Fantasia” de Williams; “No Jardim do Paraíso” de Delius; e a abertura de Elgar “Cockaigne”. As páginas de Delius são delicadíssimas, repassadas de um ambiente poético delicioso. As de Williams são de facto do mais forte sinfonista inglês contemporâneo.

A “Abertura” de Elgar deu um final esplendoroso e brilhantíssimo a estes festivais. Está cheia de melodias bem traçadas de grande colorido e de ritmos francos.

GUILHERMINA SUGGIA tocou novamente o concerto de Elgar, ouvido num concerto anterior e o concerto de Haydn. Esta notável intérprete a que chamamos numa das nossas impressões “a grande artista de sempre”, continuou ontem à noite a sua posição de excepcional artista. Que poderemos acrescentar? Que o público não se fatigou de aplaudir, em chamadas repetidas e intermináveis, o Maestro Malcom Sargent, GUILHERMINA SUGGIA e a Orquestra Sinfónica Nacional. – RUY COELHO

Diário de Notícias 26 de Janeiro de 1943

Publicado por vm em maio 4, 2004 12:29 AM
Comentários

De facto não é possível ser pior. Como é possível não se conseguir tirar rigorosamente nada destes escritos de Ruy Coelho, a não ser que era na verdade, um mestre na arte da besteira. Nulo. Obtuso. Incrível.É interessante ler estas coisas. Ficamos a conhecer melhor as pessoas. Se a música dele não deve nada ao razoável, as críticas confirmam que devia ser de facto um manga de alpaca.

Afixado por: Miguel em maio 4, 2004 12:55 AM