É sempre bom existirem pessoas preocupadas na divulgação de personalidades Portuguesas que na área da Música notabilizaram Portugal, quer no ensino e divulgação Musical Nacional, quer na vertente do seu contributo para o Mundo!
De facto, não ficava indiferente quando eu tinha algumas aulas de Piano na Sala Guilhermina Suggia no Conservatório do Porto (onde nos anos 90 ainda existia o seu Violoncelo numa "Cúpula de vidro"!...será que ainda lá está...?).
Ainda na semana transacta eu estava a falar com uma personalidade Diplomática em Genève (por razões profissionais) e veio à conversa o nome desta violoncelista e particularmente o do Mestre Vianna da Motta (que foi professor naquela cidade com notável êxito)!
Claro que a minha satisfação aumentou uma vez que tirei o Curso Superior de Piano no Porto com a mais notável discípula do Mestre (na minha humilde opinião) Maria Manuela Araújo!!!
Não querendo fugir ao seu assunto, deixo o meu testemunho do exame final com a máxima classificação do José Augusto Pereira de Sousa , com o acompanhamento deslumbrante de Manuela Araújo!
Por fim deixe-me registar-lhe que visitando o Conservatório do Porto poderá ver Salas com o nome da Guilhermina Suggia, da Manuela Araújo e o Salão Nobre com o de Vianna da Motta!
Manuel Pimentel Fonseca
Meu Caro senhor,
Agradecemos as suas simpáticas palavras que acabam por ser um estímulo para continuarmos este nosso trabalho.
Quanto ao violoncelo Montagnana que GUILHERMINA SUGGIA deixou em testamento para ser instituído o prémio SUGGIA, a ser atribuído anualmente ao melhor aluno da classe de violoncelo do Conservatório de Música do Porto melhor fora que, tal como o Stradivarius, o deixasse a Inglaterra. Digo isto não com anti-patriotismo, porém com muita mágoa. O Montagnana é, segundo os entendidos, um instrumento equiparado em tudo (mesmo no preço) ao Stradivarius. Suggia deixou o desejo expresso no seu testamento de que o violoncelo fosse vendido pela CMPorto – de quem dependia nessa altura o Conservatório de Música do Porto, e com o produto dessa venda fosse instituído o prémio. Caso o Conservatório deixasse de estar sob a alçada da CMPorto a administração do bem passaria para a entidade que o tutelasse para que o prémio continuasse a ser atribuído.
A Câmara Municipal do Porto estipula um valor de 550 contos ao violoncelo, faz uma compra, que evidentemente não é paga (Se estou errado que alguém me corrija) e em 53 anos (Suggia morreu em 30/7/1950) o prémio é atribuído 5 vezes. CINCO VEZES! O valor do prémio foi o correspondente a 3% da importância dada pela CMPorto ao violoncelo.
O Montagnana que, apesar de não ter sido pago (que me corrijam se estou enganado) é legalmente propriedade da CMPorto, que o tem fechado num cofre-forte no Museu Soares dos Reis, sem ser visto e, o mais importante, sem ser tocado. Está provado por técnicos especializados que a inactividade dos instrumentos prejudica o seu som. Quem e como se pode resolver isto?
Será que as autoridades não entendem que um bem como o Montagnana não é propriamente a coroa do D. João V? Deve ser usufruído por violoncelistas e público. E as decisões testamentárias devem ser cumpridas, sob pena de sermos desleixados, corruptos, traidores. A memória de quem tanto honrou este país merece respeito.
Oxalá nós merecêssemos os valores que nos honram. A sua memória ainda honra o seu país! Que nós o sentíssemos como sentem os ingleses!
Note-se que José Augusto Pereira de Sousa, aluno da Professora Isabel Delerue (3ª premiada com o prémio Suggia em 1963) foi precisamente o 5º e último premiado em 1986. Há 27 anos que não é atribuído o prémio Suggia!
Afixado por: vm em maio 6, 2004 11:52 PM