«De entre os concertos existe algum que seja da sua preferência?» - perguntei, e «Não», replicou Suggia. «Eu gosto de todos os que toco, e seja o que for que eu toque, no momento sinto que é a música mais bela que alguma vez toquei. Só toco boa música, claro.
Uma pequena obra pela qual eu seja talvez, particularmente apaixonada, é a última das que toquei na quinta-feira, 'Sicilienne'. Foi composta por Maria Theresa Paradis, a qual foi a mais notável das mulheres, uma afilhada da Imperatriz Maria Theresa. Ela ficou cega quando tinha cinco anos de idade, e no entanto tornou-se numa maravilhosa pianista e violinista, e percorreu toda a Europa dando concertos. Compôs uma enorme quantidade de música, sinfonias, concertos, quartetos, tal como pequenas obras, mas a quase totalidade das mesmas têm-se perdido. Porque é que tal tem acontecido, não sei, mas é uma pena que se perca porque é tão belo o que dela temos.
'Sicilienne' era uma das preferidas do meu pai, que morreu» - ela parou por um momento - há apenas alguns dias. Quando a toquei na quinta-feira, toquei-a para ele, e no fim senti que ele se encontrava realmente ali, a ouvir-me».
Do livro “GUILHERMINA SUGGIA- A Sonata de Sempre “ de Fátima Pombo
Se calhar por isso Suggia é uma boa música
Afixado por: Tales em maio 21, 2004 09:38 PMEstá tudo ligado. Claro que é por isso e por outras razões que Suggia foi uma grande intérprete. E vice-versa.
Afixado por: VM em maio 22, 2004 02:02 PM
Ela sabia.
A Arte é como um caminho que nos leva até ao outro lado. Leva-nos a atravessar o espelho de Alice.
Ela sabia.
A Arte é como um caminho que nos leva até ao outro lado. Leva-nos a atravessar o espelho de Alice.