Em 1923 SUGGIA é imortalizada pelo pintor inglês Augustus John (1878-1961)Na tela a óleo, o êxtase da paixão, a graça felina, a presença exótica dela, são dados com toda a mestria.
No quadro não ficam dúvidas de que o violoncelo é parte dela e de que a música, com Suggia, não só se ouve, mas também se vê. John não ficou impressionado com Suggia só pêlos olhos, mas por todos os sentidos e conseguiu pôr no quadro a relação emocional, intelectual, visível, audível... entre o modelo e o pintor. No quadro de Suggia a música e a cor unem-se num resultado único: o vestido vermelho escuro, o castanho avermelhado do violoncelo, as cortinas douradas, verdes nas sombras... sugerem sons.
No Evening Standard de 27 de Março de 1923 descreve-se o longo vestido carmesim, concluindo que «nenhuma violoncelista poderá pôr um vestido qualquer depois de ter visto este pintado». Talvez não possa ver-se e ouvir-se um outro violoncelo sem pensar no de Suggia.
O quadro de John soa.
Do livro “ GUILHERMINA SUGGIA- A Sonata de Sempre” de Fátima Pombo