Berta Alves de Sousa, nome sobejamente conhecido entre nós, não só como pianista, mas como chefe de orquestra, crítica-musical, compositora, conhecedora das Belas Artes e Literatura, cheia de entusiasmo por tudo o que é belo neste Mundo, muito nova ainda, terminou ontem o seu curso no Conservatório de Música desta cidade.
Estávamos tão habituados neste país a frases lisonjeiras e exagerados adjectivos, que mais eloquente seria apenas arquivar este exame, que por ser em uma casa de ensino, palavras não teve, nem bravos, nem “encores” mas com quantos aplausos nós a aclamámos íntimamente, do fundo da nossa alma, todos os que tiveram a felicidade de estar presentes, com o nosso coração vibrando de emoção.
Porque foi emocionante, perfeito, em toda a extensão da palavra.
Desde a “chaconne” de Bach, seguindo-se a “Toccata” de Debussy, “Balada” de Vianna da Motta e “Estudo Transcendente” de Liszt (Mazeppa), até ao concerto em primeira audição de Rimsky-Korsakov, superiormente acompanhado ao segundo piano pelo grande Mestre Luís Costa, com que terminou o seu programa, Berta Alves de Sousa conquistou-nos em absoluto.
As obras que executa tornam-se monumentos mercê da concepção e vibração emotiva, que são os factores deste raro temperamento de artista.
Qualidades? Tem-nas todas. Mas não nos apercebemos da sua técnica, da sua sonoridade, do ritmo, jogo de pedal, não distinguimos a mão direita da mão esquerda, não visualizamos as teclas pretas e brancas, esquecemos que o piano tem martelos e cordas de aço, porque nas suas interpretações há apenas a finalidade e não os meios por que foi atingida.
É o mais alto “achievement” de um artista.
Berta Alves de Sousa faz lembrar o grande colosso do teclado Horovitz. Há nestes dois pianistas qualquer coisa de “superhumano”? Talvez!
Génio? Sim! Mas sobretudo trabalho! E é esta a grande lição que os estudantes aprenderam ontem ao ouvir Berta Alves de Sousa.
É bom para nós que seja portuguesa e que como portuguesa conquiste o Mundo da Arte que para os génios não tem fronteiras.
Aqui deixamos escritas estas palavras de admiração e de gratidão.
Guilhermina Suggia
(texto cedido por Isabel Millet)
Publicado por vm em agosto 3, 2004 01:18 AMQuantas figuras gradas da cultura poderiamos legar e ter legado à Humanidade, se vivessemos num país desenvolvido, onde os salários e as viagens pagas fossem para os grandes intelectuais nos representarem, em vez de serem para os políticos e respectivos "amigos"!
Como escrevia bem, a nossa Guilhermina, nesta fase da sua vida!
Embora a situação vá melhorando, lamento que não haja mais informação digital sobre os músicos portugueses, designadamente Berta Alves de Sousa. Tenho uma lista de obras da compositora. Todavia, procurei na Web dados sobre ela, mas não encontrei. Se alguém me puder arranjar mais informações, pelo menos as datas e locais de nascimento e morte, a Meloteca agradece.
Afixado por: António José Ferreira em agosto 25, 2004 09:45 AMEncontrei na Web estes dados. Esperemos que alguém tenha mais informações.
"Mais esquecidos têm ficado, até hoje, os nomes de três outros compositores, cuja abundante produção mereceria uma maior atenção por parte de intérpretes e organizadores de manifestações musicais. Por ordem cronológica, Berta Alves de Sousa (1916-1997), nascida na Bélgica, de família oriunda do Porto, veio muito nova para esta cidade, onde se radicou e desenvolveu a sua actividade como compositora e professora de música de câmara e piano no Conservatório. Nas suas obras, utilizou uma linguagem de cariz impressionista, onde avulta, igualmente, o emprego da politonalidade.
..."
Afixado por: vm em agosto 31, 2004 01:19 AMOlá Guilhermina, boa noite, desculpe-me por perguntar à você algo simples, mas é importante para mim. Gostaria muito de estudar violoncelo, mas como ainda não o tenho queria saber a sua opinião de qual comprar. Você conhece algum luthier ou alguma marca que eu possa comprar e iniciar meus estudos para começar com o pé direito?
Agradeço desde já a sua atenção,
Sabrina R.
P.S.: Tenho 1,50 de altura. Seria ideal um instrumento para as minhas medidas ou isso não tem nada a ver e nem existe tal preocupação?
Olá Sabrina. Entrar com o pé direito nos estudos de violoncelo é entrar com total paixão e dedicação. Mais importante que o violoncelo que vai ter para se apresentar na primeira aula, será o seu próprio professor, pois ele dar-lhe-á, com certeza, todas as informações sobre o violoncelo que deve comprar para começar os seus estudos. Boa sorte
Afixado por: vm em setembro 6, 2004 11:16 AMCaro António José Teixeira,
o meu CD de 1999 "COMPOSITORES CONTEMPORÂNEOS-PIANO SOLO" (ed. Numérica) inclui uma versão dos 3 Prelúdios para piano da Berta Alves de Souza. São obras muito interessantes, inspiradas e conseguidas; tenho incluído com frequência estas obras em actuações minhas a solo, com muito agrado do público.
Ainda bem que podemos ler a opinião de Suggia sobre esta grande pianista, a qual ainda tive oportunidade de conhecer, pouco antes do seu desaparecimento. Parecem-me tão acertados e realistas os comentários acerca de B. Alves de Souza-que pena não existirem gravações pela própria. No CD que referi, também está a "Balada" do Vianna da Motta- uma coincidência simpática.