outubro 07, 2004

VINTE E SEIS ANOS DEPOIS O PORTO HOMENAGEIA GUILHERMINA SUGGIA


Pela primeira vez, 26 anos depois, o Porto, por iniciativa de César de Morais, presta homenagem àquela que críticas de todo o Mundo consideraram, a par de Pablo Casals, a maior violoncelista mundial – GUILHERMINA SUGGIA.
Patrocinado pela Câmara Municipal do Porto e em colaboração com a Orquestra Sinfónica do Porto, o concerto que se realiza amanhã, no Teatro Rivoli, pelas 21horas e 30, é inteiramente dedicado à artista portuense galardoada com a Medalha de Ouro da Cidade, comenda de Sant’iago e Grande Oficialato da Ordem de Cristo.

Para a homenagem póstuma, César de Morais compôs o “Concerto para violoncelo e Orquestra” prestando-se a interpretá-lo em primeira audição mundial o violoncelista Michel Marchésini, solista da Ópera de Paris, 1º Prémio do Conservatório de Paris, solista e concertista consagrado em recitais e concertos em toda a Europa, solista da Ópera de Nice e Cavaleiro da Legião de Honra.
Completam o programa a abertura sinfónica de Sousa Carvalho “Eumene” e, na segunda parte a 5ª Sinfonia de Beethoven, regidos pelo maestro Gunther Arglebe.
Os bilhetes para o acontecimento são vendidos na bilheteira do teatro, ao preço popular e único de 20$00.
Sem, contudo, necessitar de apresentação, GUILHERMINA SUGGIA, nasceu no Porto a 27 de Junho de 1888 (1), entrando com 13 anos para o Quarteto de Câmara do Orpheon Portuense (2) . Estudando primeiro com o pai, o professor Augusto Suggia, e mais tarde com Klengel, GUILHERMINA SUGGIA obteve um êxito apoteótico, aos 16 anos nos concertos de Gewandhaus dirigidos por Artur Nikisch, iniciando, então a sua carreira com concertos na Alemanha, França, Inglaterra, Holanda, Rússia, Polónia, Suiça, Itália, Bélgica, Escandinávia, Espanha, etc.
Divorciada de Pablo Casals, volta a Portugal, onde fixa residência no Porto (3) dedicando-se a audições de carácter cultural e beneficente a favor de instituições congéneres ou em benefício de estudantes pobres. Sob a regência de Malcolm Sargent, é convidada a tocar no Albert Hall, em benefício dos músicos desempregados, a que assiste a família Real. Doente, é operada em Londres e regressa a sua casa no Porto, onde faleceu no dia 30 de Julho de 1950. No testamento dispôs do seu Stradivarius avaliado em 10.000 libras, para que fosse vendido e o seu produto aplicado na Royal Academy of Music, para instituição de um prémio anual ao melhor aluno de violoncelo. Os outros dois instrumentos que possuía legou-os aos conservatórios de música de Lisboa e Porto, para serem vendidos e instituídos prémios idênticos(4).

DIÁRIO DE NOTÍCIAS, 2 de Setembro de 1976
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(1) - G.S. nasceu a 27 de Junho de 1885
(2) - Quarteto Moreira de Sá
(3) – Quando termina a relação com Pablo Casals, Guilhermina Suggia não regressa a Portugal. Vive uns tempos em casa de sua irmã, Virgínia Suggia, em França e nos inícios de 1914 fixa residência em Inglaterra
(4) – G.S. deixa em testamento o seu violoncelo MONTAGNANA à Câmara Municipal do Porto (entidade de quem dependia na altura o Conservatório de Música) para ser vendido e com o produto dessa venda ser atribuído um prémio anual ao melhor aluno de violoncelo. Caso o Conservatório deixasse de estar sob a tutela da CMPorto o remanescente da venda do violoncelo passaria para a entidade que tutelasse o conservatório, para que o prémio continuasse a ser atribuído. Deixa o seu violoncelo “Lockey Hill” ao Conservatório de Música de Lisboa, em homenagem a seu pai que aí estudou e foi professor.

(notas de vm)

Publicado por vm em outubro 7, 2004 10:59 AM
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