Realizou-se ontem à tarde, no Queen’s Hall, um concerto de beneficência a favor da “Queen’s College Extension Appeal Fund". No intervalo, Lady Tree, antiga estudante, pronunciou uma curta alocução evocativa e apelou à concessão de donativos com vista à expansão do ensino superior para as mulheres.
Entre os artistas participantes no variado programa incluíam-se Lady Howard de Walden (soprano), Maurice D’Oisly (tenor) e Madame Adila Fachiri (violinista). À Orquestra Sinfónica Feminina da Grã-Bretanha coube a execução das principais obras e alguns dos acompanhamentos. Desejaríamos poder louvar sem reservas esta iniciativa admirável, mas não é possível passar em claro uma generalizada falta de vitalidade na execução das peças. Não é difícil identificar a quem coube a responsabilidade: decerto não às instrumentistas, que, não obstante a direcção da orquestra, lograram dar alguma vida ao primeiro andamento do concerto para piano em Dó menor de Beethoven (em que foi solista Mrs Alfred Allport) e a “The Cliffs of Cornwall” de Ethel Smyth.
Madame SUGGIA – que apresentou uma aluna promissora – Miss Vyvyan Lewis – foi a terceira maestrina a dirigir a orquestra. Não há qualquer motivo que impeça uma mulher de ser uma boa dirigente de orquestra, mas a verdade é que Miss Gwynne Kimpton, Madame Suggia e, de certo modo, também Dame Ethel Smyth não ajudaram a orquestra, antes pelo contrário, gesticulando de forma incompreensível, ou seja, marcando tempo a tempo, em vez de se limitarem ao compasso ou à frase.
O resultado foi de uma falta de confiança e de ritmo de execução. Dir-se-ia que dirigir com uma batuta prejudica a espontaneidade e induz uma rigidez muscular contrária à facilidade de movimentos e à fluência do ritmo. Mas não deveria ser difícil corrigir tais deficiências de técnica.
THE TIMES – 27 de Junho de 1924
(Cedido por Isabel Millet- trad de Luís Castanheira Lopes)