S.CARLOS – CONCERTO SINFÓNICO
O 4º concerto da série promovida pela E.N. realizou-se ontem, também com muito êxito. A solista foi GUILHERMINA SUGGIA. Tocou, além do “Concerto” de Saint-Saëns, o “Papillon” de Fauré e “Chant élégiaque” de Florent Schmitt.
Como sempre, mostrou aquele raro poder de penetração só acessível a intérpretes de grande classe. E de tal forma que, pode dizer-se: electrizou o público. Foi em todas as peças a intérprete genial que tanto mais se admira quanto mais se ouve. Tocou extra-programa.
Deram-se duas obras de autores contemporâneos: “A Sinfonia das Cores” de Artur Bliss, e a “Suite para Cordas” de José H. dos Santos. O compositor inglês serve-se duma paleta orquestral opulenta em timbres. Os ritmos, a imaginação, a realização, dão àquele trabalho categoria superior de verdadeira obra contemporânea “up to date”. A “suite” de José H. Dos Santos utiliza a “corda” da orquestra nas boas regiões, e como “esquema” no seu género, está bem manipulada como qualquer molde. A Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional deu ao programa interpretações vivas, sempre sob a direcção do maestro Pedro de Freitas Branco, e distinguiu-se especialmente, na “Valsa” de Ravel – obra moderna construída sobre um título romântico e uma imagem musical igualmente romântica – do que se deduz não ser o título das obras o que lhes marca o carácter estético, mas logicamente o conteúdo.
RUY COELHO
DIÁRIO DE NOTÍCIAS 27 de Janeiro de 1945