março 07, 2005

O FUNERAL DE GUILHERMINA SUGGIA CONSTITUIU UMA GRANDIOSA HOMENAGEM DE SAUDADES- JN, 2/8/1950

Como era de calcular, o funeral da insigne Artista Guilhermina Suggia, ontem realizado, atingiu verdadeira imponência. Não foi apenas o elemento oficial que tomou parte nas cerimónias. Foi todo o Porto, representado pelos elementos mais destacados de todas as classes sociais, foi o próprio Povo, que sentiu que com a morte da excepcional violoncelista, desapareceu uma alta figura nacional, das que mais distintamente encarnam o génio da Nação – a alma da Pátria.

A alta burocracia, o alto e o baixo comércio, a indústria, as profissões liberais, dezenas de corporações associativas estiveram presentes, acompanhando por intermédio dos seus delegados o cortejo fúnebre, da casa da Rua da Alegria para a Igreja da Lapa e daqui para o cemitério de Agramonte, onde o corpo ficou inumado.

O préstito saiu da residência da extinta pouco depois das 11 horas, onde estivera velado, durante a noite e as primeiras horas da manhã, por individualidades oficiais e representantes de diversos organismos. De sobre a urna foram retirados os inúmeros “bouquets” e ramos de flores que lá haviam sido colocados, oferecidos por incontáveis amigos e admiradores da extinta. Entre esses testemunhos de homenagem, figurava um “bouquet” enviado pelo sr. Presidente do Conselho, e outros enviados por organismos musicais, Câmara do Porto, Governador Civil, Cônsul e Consulesa de Inglaterra, D. Maria Borges, D. Maria Alice Ferreira, etc.

Em casa fez a encomendação do corpo o Abade da freguesia da Senhora da Conceição, sendo a urna conduzida imediatamente para um auto-fúnebre, seguido por um pronto socorro dos Voluntários do Porto, que transportava as flores. Nesse momento pegaram as borlas do caixão os discípulos da Artista.
Organizado o cortejo seguiu este, com dezenas e dezenas de automóveis e com muitas pessoas a pé, até à Igreja da Lapa, precedido por uma motocicleta da P.S.P.. Num dos automóveis seguiu o sr Ministro da Educação Nacional que representava o Chefe do Estado, o Presidente do Conselho e o Governo.

À entrada do templo pegaram as borlas o titular da Educação, o Reitor da Universidade, o dr. Antunes Guimarães, o dr. A.M. Pinheiro Torres e o sr. Russel de Sousa. Enquanto a urna foi colocada sobre uma eça, aquelas individualidades tomavam lugar, com muitas outras do lado da Epístola , vendo-se do lado do Evangelho as Pequenas Cantoras do Postigo do Sol, com o seu maestro Virgílio Pereira. Em outros lugares ficaram colocadas muitas outras individualidades representativas.

Rezou a missa de corpo presente o reitor da igreja, e durante a celebração a Orquestra do Conservatório executou, dirigida por Frederico de Freitas, várias composições adequadas o coro feminino do Conservatório cantou “Crucifixus” e as Pequenas Cantoras entoaram diversas peças corais.

Findas as cerimónias religiosas, e ainda ao som da Marcha Fúnebre, o cortejo voltou a organizar-se, a caminho de Agramonte. Houve novo turno, com pessoas ligadas à arte Musical, e no cemitério, quando se fechou o caixão, a chave foi entregue ao sr Ministro da Educação Nacional, que por sua vez a entregou ao sr. Dr. A. Pires de Lima, testamenteiro da Artista.
As representações foram em grande número. Além das que já mencionámos, havia as do Embaixador da Inglaterra, pelo Cônsul, o Instituto Britânico em Lisboa, pelo sr. Riekett, o Comandante da Região, o Presidente da Câmara de Lisboa, a Academia de Música da Madeira, os srs W.S. Clode, engº P. Clode e Fernando Lopes Graça, pelo maestro Virgílio Pereira, o Coral Feminino do Porto pela sua regente, a profª D. Stela Cunha, etc.

JORNAL DE NOTÍCIAS, 2 de Agosto de 1950



Publicado por vm em março 7, 2005 12:17 AM
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