março 15, 2005

O FUNERAL DE GUILHERMINA SUGGIA ONTEM REALIZADO NO PORTO CONSTITUIU UMA SENTIDA MANIFESTAÇÃO DE PESAR- DN, 2/8/1950

Porto, 1 – O funeral da insigne violoncelista Guilhermina Suggia constituiu uma sentida manifestação de pesar. Desta cidade pode dizer-se que não deixou de prestar homenagem à grande artista um só dos vultos de maior destaque em todos os meios; do País, do norte e do sul, estiveram presentes ou fizeram-se representar todas as autoridades, todos os organismos e individualidades ligadas à Arte Musical. E o Chefe do Estado, o Presidente do Conselho e o Governo, por intermédio do sr. Prof. Dr. Fernando Pires de Lima, ministro da Educação Nacional, prestaram também a sua última homenagem à figura rara e excelsa que tão bem, tão nobremente, prestigiou o nome de Portugal.

A saída do préstito estava marcada para as 11,30, mas muito antes já se encontravam em casa da ilustre extinta, à Rua da Alegria, numerosas individualidades, entre as quais os srs. Dr. Antunes Guimarães, presidente da comissão distrital da União Nacional, que representava o chefe do Distrito; presidente da Câmara Municipal; D. Maria Adelaide Diogo de Freitas Gonçalves, directora do Conservatório de Música do Porto, representando também o Círculo de Cultura Musical; dr. Fernando Aroso, presidente da Câmara Municipal de Matosinhos; prof. Filipe Loriente, pela Orquestra Sinfónica Nacional; prof dr. Amândio Tavares, reitor da Universidade; prof. Luís Costa, director do Orfeão Portuense, representando a srª D. Elisa de Sousa Pedroso; presidente do Círculo de Cultura Musical de Lisboa; D. Helena de Sá e Costa, com a representação dos professores do Conservatório Nacional de Lisboa; António Russell de Sousa, pela União Nacional; maestro Afonso Valentim, prof. Dr. Jaime Rios de Sousa, dr. Sarmento Beires, da Faculdade de Ciências; dr. Alberto Pires de lima, vereadores e chefes de serviços municipais, professores do Conservatório do Porto, discípulos de Guilhermina Suggia, entre os quais a sra. D. Maria Alice Ferreira.
Muitas coroas de flores cobriam e rodeavam a urna, vendo-se entre elas as enviadas pelos srs. Presidente do Conselho, Embaixador de Inglaterra, Governador Civil do Porto, Câmara Municipal, Consulado do Porto da Grã-Bretanha, Associação Luso-Britânica, Círculo de Cultura Musical, violoncelistas da Emissora Nacional e por muitos membros da colónia britânica. Pouco depois da chegada do sr Ministro da Educação Nacional, o rev. Matos Soares, pároco da freguesia de Nossa Senhora da Conceição, fez encomendação do corpo, iniciando-se a seguir o saimento fúnebre. As borlas pegaram as discípulas da grande violoncelista. Uma viatura dos Bombeiros Voluntários do Porto coberta com ramos e coroas de flores, postada atrás do carro fúnebre, encabeçava o extenso préstito constituído por dezenas de automóveis, conduzidos por aquelas entidades, enquanto a pé, seguiam centenas de pessoas. À entrada da Igreja da Lapa pegaram as borlas os srs. Prof. Drs. Fernando Pires de Lima e Amândio Tavares, dr. Antunes Guimarães e António Maria Pinheiro Torres e coronel Licínio Presa. A missa de corpo presente foi celebrada pelo rev. Luís Rodrigues, tomando lugares na capela-mor, além das individualidades já referidas, os srs. Brigadeiro Nunes da Ponte, Ricardo Spratley, tenente Rodrigues, representando o comandante da I Região Militar; prof dr Adriano Rodrigues, mestre Joaquim Lopes, director da Escola de Belas-Artes; dr. Sousa Costa, engº Rebelo Bonito, D. Berta Alves de Sousa, prof. Dr. Hermenegildo Queirós e engº Daniel Barbosa. Durante a missa fizeram-se ouvir a Orquestra Sinfónica do Porto, sob a regência do maestro Frederico de Freitas; o coro feminino do Conservatório de Música do Porto e as cantoras do Postigo do Sol. Após os responsos organizou-se o cortejo a caminho do cemitério de Agramonte, pegando as borlas à saída do templo as sras. D. Adelaide de Freitas Gonçalves, D. Berta Alves de Sousa, D. Ernestina da Silva Monteiro, D. Stela Cunha, D. Maria Amélia Cruz e D. Helena Moreira de Sá, e os srs. Profs. Luís Costa, Henri Mouton, François Broos, maestro Afonso Valentim, Cláudio Carneiro, Alberto Carneiro e Catarina Carneiro.
A urna ficou depositada em jazigo de família, onde se encontram os restos mortais de seus pais e do marido da extinta. A chave da urna foi entregue ao sr. Ministro da Educação Nacional, que, por seu turno, a entregou ao sr. Dr. Alberto Pires de Lima, um dos testamenteiros de Guilhermina Suggia.

HOMENAGEM BRITÂNICA EM LISBOA
A Embaixada da Inglaterra manda hoje celebrar missa de sufrágio, às 11 horas, na Igreja do Corpo Santo, em Lisboa, por alma de Guilhermina Suggia.

Publicado por vm em março 15, 2005 05:04 PM
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