Porto, 1 – O funeral da insigne violoncelista Guilhermina Suggia constituiu uma sentida manifestação de pesar. Desta cidade pode dizer-se que não deixou de prestar homenagem à grande artista um só dos vultos de maior destaque em todos os meios; do País, do norte e do sul, estiveram presentes ou fizeram-se representar todas as autoridades, todos os organismos e individualidades ligadas à Arte Musical. E o Chefe do Estado, o Presidente do Conselho e o Governo, por intermédio do sr. Prof. Dr. Fernando Pires de Lima, ministro da Educação Nacional, prestaram também a sua última homenagem à figura rara e excelsa que tão bem, tão nobremente, prestigiou o nome de Portugal.
A saída do préstito estava marcada para as 11,30, mas muito antes já se encontravam em casa da ilustre extinta, à Rua da Alegria, numerosas individualidades, entre as quais os srs. Dr. Antunes Guimarães, presidente da comissão distrital da União Nacional, que representava o chefe do Distrito; presidente da Câmara Municipal; D. Maria Adelaide Diogo de Freitas Gonçalves, directora do Conservatório de Música do Porto, representando também o Círculo de Cultura Musical; dr. Fernando Aroso, presidente da Câmara Municipal de Matosinhos; prof. Filipe Loriente, pela Orquestra Sinfónica Nacional; prof dr. Amândio Tavares, reitor da Universidade; prof. Luís Costa, director do Orfeão Portuense, representando a srª D. Elisa de Sousa Pedroso; presidente do Círculo de Cultura Musical de Lisboa; D. Helena de Sá e Costa, com a representação dos professores do Conservatório Nacional de Lisboa; António Russell de Sousa, pela União Nacional; maestro Afonso Valentim, prof. Dr. Jaime Rios de Sousa, dr. Sarmento Beires, da Faculdade de Ciências; dr. Alberto Pires de lima, vereadores e chefes de serviços municipais, professores do Conservatório do Porto, discípulos de Guilhermina Suggia, entre os quais a sra. D. Maria Alice Ferreira.
Muitas coroas de flores cobriam e rodeavam a urna, vendo-se entre elas as enviadas pelos srs. Presidente do Conselho, Embaixador de Inglaterra, Governador Civil do Porto, Câmara Municipal, Consulado do Porto da Grã-Bretanha, Associação Luso-Britânica, Círculo de Cultura Musical, violoncelistas da Emissora Nacional e por muitos membros da colónia britânica. Pouco depois da chegada do sr Ministro da Educação Nacional, o rev. Matos Soares, pároco da freguesia de Nossa Senhora da Conceição, fez encomendação do corpo, iniciando-se a seguir o saimento fúnebre. As borlas pegaram as discípulas da grande violoncelista. Uma viatura dos Bombeiros Voluntários do Porto coberta com ramos e coroas de flores, postada atrás do carro fúnebre, encabeçava o extenso préstito constituído por dezenas de automóveis, conduzidos por aquelas entidades, enquanto a pé, seguiam centenas de pessoas. À entrada da Igreja da Lapa pegaram as borlas os srs. Prof. Drs. Fernando Pires de Lima e Amândio Tavares, dr. Antunes Guimarães e António Maria Pinheiro Torres e coronel Licínio Presa. A missa de corpo presente foi celebrada pelo rev. Luís Rodrigues, tomando lugares na capela-mor, além das individualidades já referidas, os srs. Brigadeiro Nunes da Ponte, Ricardo Spratley, tenente Rodrigues, representando o comandante da I Região Militar; prof dr Adriano Rodrigues, mestre Joaquim Lopes, director da Escola de Belas-Artes; dr. Sousa Costa, engº Rebelo Bonito, D. Berta Alves de Sousa, prof. Dr. Hermenegildo Queirós e engº Daniel Barbosa. Durante a missa fizeram-se ouvir a Orquestra Sinfónica do Porto, sob a regência do maestro Frederico de Freitas; o coro feminino do Conservatório de Música do Porto e as cantoras do Postigo do Sol. Após os responsos organizou-se o cortejo a caminho do cemitério de Agramonte, pegando as borlas à saída do templo as sras. D. Adelaide de Freitas Gonçalves, D. Berta Alves de Sousa, D. Ernestina da Silva Monteiro, D. Stela Cunha, D. Maria Amélia Cruz e D. Helena Moreira de Sá, e os srs. Profs. Luís Costa, Henri Mouton, François Broos, maestro Afonso Valentim, Cláudio Carneiro, Alberto Carneiro e Catarina Carneiro.
A urna ficou depositada em jazigo de família, onde se encontram os restos mortais de seus pais e do marido da extinta. A chave da urna foi entregue ao sr. Ministro da Educação Nacional, que, por seu turno, a entregou ao sr. Dr. Alberto Pires de Lima, um dos testamenteiros de Guilhermina Suggia.
HOMENAGEM BRITÂNICA EM LISBOA
A Embaixada da Inglaterra manda hoje celebrar missa de sufrágio, às 11 horas, na Igreja do Corpo Santo, em Lisboa, por alma de Guilhermina Suggia.