março 30, 2005

JULIUS KLENGEL - PROFESSOR DE GUILHERMINA SUGGIA EM LEIPZIG

• 1859-1933)
Nasceu em Leipzig, numa família de várias gerações de músicos profissionais.
Teve as primeiras lições de música com o pai e as primeiras lições de violoncelo com Emil Hegar, violoncelista principal da Orquestra da Gewandhaus, tendo sido aluno de Grützmacher e de Davidov.
Com 15 anos integra a famosa Orquestra da Gewandhaus, sendo o violoncelista principal de 1881 a 1924. Furtwängler dirigiu o Concerto de Jubileu dos 50 anos de Klengel como violoncelista dessa Orquestra.
Em 1881 é nomeado também Real Professor do Conservatório de Leipzig.

Viajou por toda a Europa como solista e como membro do Quarteto da Gewandhaus. Era admirado pelo seu estilo de fina sensibilidade e pela impecável técnica, particularmente nas sonatas de Beethoven e nas suites para violoncelo solo de Bach.
O seu conhecimento de música de câmara era vastíssimo, dizendo-se que conhecia a participação de cada instrumento, no reportório comum. É também sabido que Klengel acompanhava os seus alunos ao piano, tocando tudo de memória.

Como compositor escreveu bastante para o seu instrumento: quatro concertos para violoncelo e orquestra, dois concertos para dois violoncelos, dois concertos para violoncelo e violino, uma sonata, caprichos e um hino para 12 violoncelos dedicado à memória do maestro Arthur Nikisch, para além de exercícios de técnica para o violoncelo.

Fez edições de sonatas e concertos do reportório clássico e uma edição das suites para violoncelo solo de Bach, que ainda é usada. É um equívoco considerar que Casais foi o primeiro a trazer as suites de Bach a público.
Klengel fazia os seus alunos tocarem as suites de Bach desde 1880.
As sonatas de Beethoven também faziam parte desses estudos.

Klengel é lembrado como excepcional professor. Nos seus anos de ensino no conservatório de Leipzig teve como alunos famosos Emmanuel Feuermann, Paul Grümmer, Joachim Stutschewsky, Edmund Kurtz, Gregor Piatigorsky, William Pleeth... e, claro, Guilhermina Suggia. O Conservatório de Música de Leipzig era famoso pela exigência de ensino e pela exigência na selecção de alunos.
Sobre Klengel declara Pleeth que «o que eu gostava nele, era ser, de facto, um homem muito simples. Não tinha caprichos, nem sofisticação. Era muito honesto e eu gostava muito dele por isso. Klengel nunca nos encorajou a copiar, e se se reparar nos muitos tipos de interpretação dos seus alunos constata-se que somos todos muito diferentes”

do livro " GUILHERMINA SUGGIA. A Sonata de Sempre", de Fátima Pombo

Publicado por vm em março 30, 2005 12:31 AM
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