abril 08, 2005

A MULHER E A ARTISTA EM GUILHERMINA SUGGIA- Ápio Garcia - II

«O violoncelo é, para mim, o instrumento que melhor reproduz o angustiado lamento da voz humana ou a expressão triunfal dum cântico vitorioso de resgate e de amor».
(GUILHERMINA SUGG1A)

Quem hoje, passar na Rua Ferreira Borges, da capital do norte, não lhe é, já, dado ver a modesta casa onde Guilhermina Suggia — a maior violoncelista do mundo — viu a luz da vida. A picareta aconselhada a ser posta em prática ao serviço das recentes leis da urbanização encarregou-se de, impiedosamente, a demolir para sempre. Fora essa a moradia escolhida por seu pai — violoncelista também — Augusto Suggia, quando, após a sua acção didáctica no Conservatório de Música de Lisboa, viera residir para o Porto.

O pai de Guilhermina Suggia vivia para a música, através da directriz imposta pelo seu próprio destino.

O talento acentuadamente extemporâneo de Guilhermina constituía indizível e duplo prazer paternal ao ver que, nas prometedoras mãos daquela «menina prodígio» estava entregue a sucessão artística dos Suggia. Disso não restava a menor dúvida e, precisamente, por não achar infrutíferas as lições ministradas ao talento que começava a evidenciar-se, o conceituado professor não desistia do seu intento de internar na difícil carreira musical o espírito dessa Verdadeira promessa que estava recebendo já o influxo de tão magistrais lições.

E, apenas com sete anos de idade, evidenciou, publicamente, a sua rara vocação no salão de festas do antigo Clube da vila piscatória de Matosinhos.
A estreia fora auspiciosa e a assistência, ao retirar, concordou, unanimemente, tratar-se de uma revelação sem precedentes na história nacional da música.

Aquela noite de Matosinhos havia constituindo — e sem o saber — a chave de abertura das mais extraordinárias noites que é possível tributar-se aos grandes génios!

(Cedido por João Pedro Santos)

Publicado por vm em abril 8, 2005 12:00 AM
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