maio 10, 2005

UMA VOCAÇÃO QUE NASCEU E SE REVELOU EM MATOSINHOS, Por Carlos Figueiredo - I

Não se improvisa, o Artista nasce feito. Assim tal qual. Seja homem ou mulher, Ensimesmado, inquieto, insatisfeito, O Artista nasce quando Deus o quer.
Jorge Condeixa

Guilhermina Suggia, vulto genial entre os músicos portugueses, foi no firmamento da Arte interpretativa um astro de primeira grandeza.
Filha de portugueses, mas de ascendência espanhola e italiana pelo lado paterno (Medim Suggia) nasceu em 27 de Junho de 1885 no Porto, na freguesia de S. Nicolau. Veio a este mundo numa modesta e acolhedora casa da Rua de Ferreira Borges, prédio que mais tarde teve que ser demolido em obediência a novos traçados urbanísticos.

Seu pai, Augusto Suggia, natural de Lisboa, onde depois de frequentar o Conservatório, foi violoncelista do "Real Teatro de S. Carlos", e que, a convite da Santa Casa da Misericórdia de Matosinhos, veio a exercer as funções de professor de música nas Escolas desta vila, iniciou-a no estudo da música, tendo ela apenas cinco anos, para logo a fazer dedilhar, como quem brinca, nas cordas dum pequenino violoncelo, instrumento propositadamente mandado vir de Paris.

Nesta altura, a família Suggia morava em Matosinhos, sendo de crer que na Rua do Godinho, conforme reza a própria certidão de nascimento de Guilhermina, que aos seis anos foi a baptizar-se na igreja de Santo lldefonso, no Porto.

Augusto Suggia, como bom pedagogo e conhecedor das belas qualidades latentes de sua filha, em breve lhe proporcionou o primeiro contacto com o público, como colaboradora num concerto realizado no "Grémio de Matosinhos" acompanhada ao piano por sua irmã Virgínia, um pouco mais velha, devendo-se a sua apresentação a Guilherme Ferraz, figura local de grande prestígio.

É portanto em Matosinhos que em 1892, com sete anos de idade, Guilhermina Suggia ensaia os primeiros voos da sua trajectória ascensional de Artista.

Durante alguns anos G. Suggia toma parte em muitos concertos efectuados não só em Matosinhos, (um programa dos quais aqui se reproduz em fac-simite), como em Leça, na Foz do Douro e no Porto, quase exclusivamente para o "Orpheon Portuense".

Entretanto será curioso recordar que na época balnear de 1898 foi contratado para o Café de Espinho um violoncelista catalão de 21 anos, que rapidamente se fez notar pelo seu invulgar talento: Pablo Casals.

Atraído por essa fama, Augusto Suggia levou sua filha a receber dele as proveitosas lições que a ajudariam a progredir.
(Cedido por A. Cunha e Silva)

Publicado por vm em maio 10, 2005 12:00 AM
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