maio 12, 2005

UMA VOCAÇÃO QUE NASCEU E SE REVELOU EM MATOSINHOS, por Carlos Figueiredo - II

Em 1901 a sua ida a Lisboa, constitui um passo decisivo na sua vida, conquistando na Capital os maiores admiradores, entre os quais os membros da Família Real. A Rainha D. Amélia, entusiasmada e magnânima, ao saber que a sua maior ambição era o seu aperfeiçoamento no estrangeiro, promete-lhe uma bolsa de estudo.

Atribuída esta, realiza-se então no Porto, em 4 de Novembro daquele ano, um Concerto de Despedida, no qual G. Suggia executa obras de Chopin, Tchaikowsky, Lalo e ainda, como nota de interesse, Nocturno e Tarantela de Klengel, o compositor--violoncelista e insigne pedagogo que na Alemanha iria ser o seu Mestre. Alguns dias depois acompanhada por seu pai, vai a Vigo, onde embarca para Lípsia, por via Bremen.

Julius Klengel (1859-1933), ao ouvir a nova discípula logo reconheceu nela uma vocação extraordinária e um temperamento excepcional; a sua forte intuição musical bem se revelava na forma como ela cantava os andamentos lentos!

Assim como os antigos davam o nome de diva às grandes cantoras que, como Luísa Todi (o caso de maior celebridade na Arte musical portuguesa) eram especialistas no canto "spianato"— também a Suggia, tal a grandeza sonora e profunda expressividade que imprimia no canto largo, merecia que se lhe desse o nome de deusa.

Não estaria longe o dia de ela se impor como grande Artista...

O primeiro entre os maiores acontecimentos da sua carreira, foi na verdade, a sua apresentação em 1903, na consagrada sala de concertos de Lípsia — o Gewandhaus. Tocou o Concerto de Volkmann, acompanhada por orquestra sob a direcção do genial Artur Nikisch (1885-1922).

Uma apoteose sem precedentes veio coroar a interpretação fascinante daquela jovem portuguesa com dezoito anos ainda incompletos!

(Cedido por A. Cunha e Silva)

Publicado por vm em maio 12, 2005 12:00 AM
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