Nesse mesmo ano (1907), em Portugal, um conhecido articulista, ao anunciar um concerto de Suggia no Salão do Conservatório de Lisboa, escreve nos seguintes termos: "O que existe nessa extraordinária mulher-artista e que levanta a sua arte, aos olhos de todos os que o escutam, com um relevo admirável e a enche da mais veemente expressão e do mais vivo e impressionante colorido, é todo um cálido temperamento de meridional, bem criado à luz do nosso sol e sob o vivo azul do nosso céu, é uma alma bem portuguesa que uma vocação artística cedo despertada ensinou a vibrar, emocionando-se com violência e sabendo, por uma sugestão feliz, transmitir-nos a nós essa emoção.
Segue-se um largo período em que, em Paris, o íntimo convívio que Suggia manteve com Casais foi de molde a adquirir novas experiências humanas e estéticas, sendo de salientar o conhecimento das Suites de Bach. O Concerto Duplo para dois violoncelos e orquestra de Emmanuel Moór (1862-1931) foi muitas vezes tocado por ambos. A Suite op. 110, do mesmo compositor é-lhes dedicada.
Dão inúmeros concertos, e nessa actividade conjunta dir-se-ia que a Intelectualidade Ibérica, na sua dupla feição hispânica e lusitana, nunca esteve tão altamente representada como por esses dois génios peninsulares da Música.
(Cedido por A Cunha e Silva)