Com o rebentar da Primeira Guerra Mundial, Suggia, que entretanto se havia desligado de Casals, decide ir viver na Inglaterra numa tentativa de prosseguir a sua carreira, algum tempo suspensa. Aí continuamente solicitada e rodeada de honrarias, o seu prestígio de concertista torna-se cada vez maior.
Um consagrado escritor e ensaísta britânico exprime, em prosa de arte, a rara sensação que lhe causou a grande Artista num concerto efectuado em Manchester em 1919, reparando na «figura atraente... ao surgir no estrado com o seu belíssimo instru¬mento e seu trágico semblante egípcio...»
Augustus Jonh (1879-1961), o maior retratista inglês do séc. XX, num quadro a óleo, concluído em Março de 1923, fixa também a figura de Suggia tocando numa elegante atitude de emoção e domínio, quadro impregnado de majestade e beleza.
Em 1927, Suggia consorcia-se com o Dr. José Carteado Mena (1876-1949) fixando residência no Porto.
Ouvi-a pela primeira vez, era eu menino e moço, num Concerto dado no Teatro de S. João a 10 de Abril de 1930 com a colaboração da Orquestra dos "Concertos Sinfónicos de Lisboa" sob a direcção de Pedro de Freitas Branco (1896-1963).
Nessa noite inesquecível de vibrante entusiasmo, a audição do Concerto de Haydn e o de Saint-Saëns, do Kol Nidrei de Max Bruch e da Habanera de Ravel constituiu, graças à soberba interpretação de Suggia, um incitamento para o meu estudo de violoncelo e a revelação duma elevada arte com a perfeição da qual comecei então de sonhar...
(Cedido por A Cunha e Silva