Assim é que, sobre os memoráveis Concertos Sargent — Suggia, alguém escreveu:
«A Suggia, grande e bela. De raça real, saída duma tela italiana da Renascença, em pompa, O som parecia vir dela própria, interior, e o violoncelo ser apenas o pretexto.
Presente nesses concertos, também o pintor Carlos Botelho pôde colher, em traço caricatural, da insigne Artista, flagrantes poses em 3 desenhos.
Em 28 de Maio de 1943 reaiizou-se também no Teatro de S. Carlos, um Concerto integrado na série organizada pela Emissora Nacional, em que «a gloriosa violoncelista portuense arrebatou, como sempre, todos quantos a ouviram, com o espantoso fogo das suas interpretações, o seu fraseado encantador, o ritmo impressionante sobre o qual arquitecta as mais livres e arrojadas ideias.»
Em 12 e 19 de junho desse ano, Suggia faz-se ouvir pela 1ª vez em dois Recitais peia Rádio, directamente dos estúdios da Emissora Nacional (Lisboa).
Por fim, a 30 do mesmo mês, em Lisboa, ela arrebata o grande público do Coliseu dos Recreios e, num grande gesto de generosidade, oferece os seus respectivos honorários - 40 contos à Assistência aos Tuberculosos e às Irmãzinhas dos Pobres.
Nos anos seguintes Suggia nunca mais deixou de tocar para o público português.
E no último dia de Maio de 1950, a dois meses da sua morte, realizou-se em Aveiro um Concerto que foi o canto do cisne daquela que seis décadas antes abraçara, em Matosinhos, pela primeira vez o instrumento dos seus amores!
Porto, Abril de 1969
Carlos de Figueiredo
(Cedido por A Cunha Silva)