O "GUILHERMINA SUGGIA" vai de férias. Não sei até quando! Talvez até Outubro.
Não sei bem , ainda. Depende muito das férias. Logo se verá.
Boas férias para todos

Guilhermina Suggia no castelo de Lindisfarne
(espólio de Vianna da Motta - Museu da Música)
Guilhermina sabe que familiarmente não tem ninguém, embora confie em Clarinda e num punhado de amigos. A possibilidade de tocar nos E. U.A. não se dissipa, contudo, dos seus interesses.
Metropolitan Opera Association, Inc.
Metropolitan Opera House - New York, 18 N. Y.
23 de Fevereiro de 1950
Cara Senhora Suggia,
Fiquei muito feliz por ter notícias suas e contentíssimo pela sua vinda à América.
Penso que não vivo aqui há tempo suficiente para lhe dar conselhos realmente úteis. Por outro lado, durante os três ou quatro meses que já aqui passei, tenho trabalhado exclusivamente em assuntos de ópera, não estando portanto bem familiarizado com as condições dos concertos.
Contudo, o Sr. André Mertens, Vice-Presidente da Corporação de Concertos da Columbia, é um velho amigo meu e enviei-lbe a sua carta com o pedido de a aconselhar. Estou certo de que o Sr. Mertens lhe escreverá e penso que na sua ida à Europa, dentro em breve, se poderia pensar num encontro. Pode confiar completamente nele, um alto executivo de uma das organizações de concertos mais prestigiadas do país.
Com os melhores cumprimentos,
De Vossa Excelência
Atentamente
Rudolf Bing
Mas a viagem à América jamais se realizará, porque a doença de Guilhermina é impiedosa.
«- É a primeira vez que tenho de cancelar uma 'tournée», afirma ela com tristeza.
Do livro”GUILHERMINA SUGGIA - A Sonata de Sempre” de Fátima Pombo

Na Quinta dos Girassóis em Barreiros da Maia, Guilhermina Suggia, a sua empregada, amiga e confidente, Clarinda e os 3 cães: o Sandy, a Mona e o Kitah.
Clarinda que casou com o "chauffeur" de Suggia, António (ainda vivo, creio que vive num lar), morreu há cerca de 3 anos. Tiveram uma filha. António creio que não está em condições de prestar quaisquer declarações, devido à sua avançada idade e ao seu estado de saúde.
(foto cedida por Isabel Millet)
Berta Alves de Sousa, nome sobejamente conhecido entre nós, não só como pianista, mas como chefe de orquestra, crítica-musical, compositora, conhecedora das Belas Artes e Literatura, cheia de entusiasmo por tudo o que é belo neste Mundo, muito nova ainda, terminou ontem o seu curso no Conservatório de Música desta cidade.
Estávamos tão habituados neste país a frases lisonjeiras e exagerados adjectivos, que mais eloquente seria apenas arquivar este exame, que por ser em uma casa de ensino, palavras não teve, nem bravos, nem “encores” mas com quantos aplausos nós a aclamámos íntimamente, do fundo da nossa alma, todos os que tiveram a felicidade de estar presentes, com o nosso coração vibrando de emoção.
Porque foi emocionante, perfeito, em toda a extensão da palavra.
Desde a “chaconne” de Bach, seguindo-se a “Toccata” de Debussy, “Balada” de Vianna da Motta e “Estudo Transcendente” de Liszt (Mazeppa), até ao concerto em primeira audição de Rimsky-Korsakov, superiormente acompanhado ao segundo piano pelo grande Mestre Luís Costa, com que terminou o seu programa, Berta Alves de Sousa conquistou-nos em absoluto.
As obras que executa tornam-se monumentos mercê da concepção e vibração emotiva, que são os factores deste raro temperamento de artista.
Qualidades? Tem-nas todas. Mas não nos apercebemos da sua técnica, da sua sonoridade, do ritmo, jogo de pedal, não distinguimos a mão direita da mão esquerda, não visualizamos as teclas pretas e brancas, esquecemos que o piano tem martelos e cordas de aço, porque nas suas interpretações há apenas a finalidade e não os meios por que foi atingida.
É o mais alto “achievement” de um artista.
Berta Alves de Sousa faz lembrar o grande colosso do teclado Horovitz. Há nestes dois pianistas qualquer coisa de “superhumano”? Talvez!
Génio? Sim! Mas sobretudo trabalho! E é esta a grande lição que os estudantes aprenderam ontem ao ouvir Berta Alves de Sousa.
É bom para nós que seja portuguesa e que como portuguesa conquiste o Mundo da Arte que para os génios não tem fronteiras.
Aqui deixamos escritas estas palavras de admiração e de gratidão.
Guilhermina Suggia
(texto cedido por Isabel Millet)
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Não se conhece a autoria deste desenho, mas muito provavelmente será de António Carneiro
(cedido por Isabel Millet)
18 Jan. Concerto em Haia, sob a direcção de W. Mengelberg, interpretando obras de Brahms, Dvorak, Fritz Volbach, Svendsen, A. Piatti e E. Chabrier.
21 Jan. Recital no Bechstein Hall de Londres, acompanhada ao piano por Richard Epstein interpretando obras de Dvorak, Svendsen, Victor Herbert e A. Piatti.
28 Jan. Concerto em Bayreuth, no Liederkranz, sob a direcção de K. Aumüller, participando com interpretações de Svendsen, A. Piatti, Klengel e Popper.
29 Jan. Concerto em Coburg, interpretando obras de Klengel, Haydn, F. Chopin, Svendsen, A. Piatti, Schubert, Wagner, R. Schumann, V. Herbert, D. Popper, Brahms, Grieg, Wolff, sob a direcção de Ernst Riemann e Otto Baldamus.
2 Fev. Concerto na Orpheum-Saal (Hotel Schützen-haus) de Karlsbad, sob a direcção de Martin Spõrk, interpretando obras de Dvorak, Svendsen, Piatti e Popper.
10 Mar. Recital em Berlim, interpretando obras de Svendsen, Herbert, Piatti, C. Cui e Klengel.
17 Mar. Concerto no Kunst und Festhalle de Friburgo, sob a direcção de Gustav Starke, interpretando obras de Klengel, Svendsen e A. Piatti.
27 Mar. Concerto no Convent-Garten de Hamburgo, sob direcção de Max Fiedler, interpretando o Concerto para violoncelo e orquestra de E. D' Albert.
19 Dez. Concerto em Stollberg, no Kgl. Seminar, interpretando Beethoven, Klengel e Tchaikowsky.
do livro "GUILHERMINA SUGGIA- A Sonata de Sempre" de Fátima Pombo