
ESta fotografia foi tirada do jardim da Rua da Alegria, 665 ( A casa que se vê é a casa do lado).

Aqui, na Quinta dos Girassóis, em Barreiros da Maia, Guilhermina com a "Tia Fina" (a dona da casa na Rua Almeida Brandão, em Lisboa)

Vemos nesta fotografia o TRIO PORTUGÁLIA (Prof Henri Mouton, a Prof Helena Sá e Costa e a Prof Madalena Sá e Costa, que hoje dia 20, comemora o seu 90º aniversário). Desejamos muitos mais. Lembramos que hoje à tarde - não tenho a certeza da hora por isso não me aventuro a referi-la, no Teatro Rivoli, um grupo de ex alunos da Prof Madalena Sá e Costa e a Câmara Municipal do Porto lhe prestam uma homenagem, naturalmente aberta a toda a gente que queira assistir.
A fotografia aqui deixada foi tirada no Palácio Nacional de Sintra em 1959 e vem no livro "UMA VIDA EM CONCERTO" de Helena Sá e Costa
Bach, Beethoven, Brahms, Haydn, Schumann, Lalo, Dvorak, Tchaikovscky, Rubinstein, Saint-Saëns, Max Bruch, Boëllmann, Klengel, Fauré, Glazunnoff, Sammartinni, Boccherini, Valentini, Veracini, Locatelli, Sinigaglia, Senaillé, Dandrieu, Dupuits, Popper, Raff, Volkmann, Davidoff.
(GUILHERMINA SUGGIA - Evocando... (1950)
(Cedido por João Pedro Mendes dos Santos)

Esta é uma foto recente da casa de "Tia Fina" - tia de sua discípula Isabel Cerqueira Millet - na Rua Almeida Brandão, em Lisboa, onde Guilhermina Suggia era recebida como se fosse de família
Foram numerosas as actuações de GUILHERMINA SUGGIA nesta Sociedade, quer como executante solista, quer como componente de grupos de câmara ( nomeadamente do Quarteto Moreira de Sá) e ainda como elemento da Orquestra dirigida por Moreira de Sá, na qual ocupou o lugar de 1º violoncelo.
Contava GUILHERMINA SUGGIA 10 anos de idade quando se apresentou pela primeira vez a solo no “Orpheon Portuense”.
Cifra-se num total de 17 Concertos a solo e 32 em Conjuntos a sua actuação nesta Sociedade.
Antes de partir para o seu estágio de aperfeiçoamento em Leipzig despediu-se do “Orpheon Portuense” com uma admirável execução do Concerto de Saint-Saëns.
Decorrido apenas, precisamente, um ano de permanência em Leipzig aí fez a sua sensacional apresentação pública, em Dezembro de 1902, no Gewandhaus, com o célebre regente Nikisch.
Alguns meses depois, em Maio de 1903 apresentou-se com sua irmã Virgínia num recital no “Orpheon Portuense”, e quando se fixou definitivamente em Portugal em 1923 – em plena carreira gloriosa – teve a extrema gentileza de oferecer um concerto ao “Orpheon Portuense”.
Aqui se apresentou depois a grande Artista em vários Concertos – um dos quais repetido na Sociedade Filarmónica de Vigo, com Leonilde Moreira de Sá e Costa e Luiz Costa – e outro em 1930 ( repetição do Concerto de Sonatas efectuado em Londres, no Wigmore Hall, com Luiz Costa).
GUILHERMINA SUGGIA – Evocando… (1950)
(cedido por João Pedro Mendes dos Santos)

(Cedido por João Pedro Mendes dos Santos)

Nm concerto no Teatro S. João, em 17 de Maio de 1862 ( com 9 anos de idade)
do livro "IN MEMORIAM Bernardo V. MOREIRA DE SÁ"
Finalmente irá ser realizada, no dia 10 de Dezembro uma Assembleia Geral dos Associados Fundadores da ASSOCIAÇÃO GUILHERMINA SUGGIA, onde serão eleitos os seus Corpos Directivos. A Assembleia terá lugar nas instalações da Câmara Municipal de Matosinhos, a quem agradecemos essa cedência.
Poderão ser apresentadas listas com programa de actividades até fim deste mês por associados fundadores. Pensamos ter avisado todos os associados fundadores de todos os requisitos necessários para que tudo se processe em normalidade. Quaisquer dúvidas podem ser esclarecidas através do blogue (comentário ou email).
Dado que a Sede da Associação é no Porto - não temos ainda um local definitivo - o local da realização da Assembleia será em Matosinhos, podendo no entanto, todos os associados que assim o entendam votarem por correspondência.
Desejamos que a ASSOCIAÇÃO GUILHERMINA SUGGIA, logo que os corpos Directivos tomem posse, inicie a sua actividade que queremos e confiamos seja digna de GUILHERMINA SUGGIA.

(cedido por João Pedro Mendes dos Santos)

Guilhermina Suggia nasceu no Porto. Aos 5 anos recebeu as primeiras lições de seu pai, Augusto Suggia, excelente mestre do violoncelo. Em Leipzig, aos 15 anos, estudou com Julius Klengel, como pensionista do Estado. Dois anos mais tarde estreou-se nos concertos do Gewandhaus, com Artur Nikish, em Leipzig, obtendo desde logo um dos êxitos mais completos de que há memória na história dos grandes virtuosos. Começou então a sua gloriosa peregrinação por toda a Europa, encantando e arrebatando o público da Alemanha, Holanda, Rússia, Polónia, Áustria, Bélgica, Suissa, Escandinávia, França, Espanha e Inglaterra. Tendo fixado residência neste último país, é ela considerada como a primeira violoncelista do mundo.
O mais reputado e temido dos críticos ingleses, o senhor Ernest Newman escreveu a respeito de Suggia numa crítica recente: “ …A vida em Londres tem as suas compensações musicais. Por exemplo, ouvir Madame Suggia duas vezes em 3 dias. É um dos raros e realmente grandes intérpretes de corda.”
O Ilustre David Popper, também violoncelista, escreveu em 1905 no álbum da artista: “ To the greatest of living cellists, Guilhermina Suggia, from her aged confrere. D.P.”
Vindo a Lisboa para se fazer ouvir no violoncelo que a Europa inteira consagra como uma das mais admiráveis fontes de expressão estética, Suggia inscreve em os nossos anais artísticos uma página suprema.
Para a receber, a Philarmonia deseja ser como que a moldura musical em que se enquadra o génio da virtuose portuguesa.
1923
(Cedido por Isabel Millet)
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Moreira de Sá era um desses espíritos de eleição e uma dessas vontades inflexíveis que produzem sem descanso, construindo uma obra que o tempo não apaga e, ao contrário, solidifica, tornando-a imortal pelo exemplo que contém.
São tantas e tão variadas as aptidões de Moreira de Sá e exercidas com tamanha distinção, que a sua obra equivale, com efeito, a um monumento no qual figuram a Ciência, a Arte e as Letras, porque Moreira de Sá foi músico insigne, professor eminente e escritor ilustre. Ele reuniu nobremente três das mais difíceis manifestações do pensamento. Cultivou a Arte desde os 7 anos, idade em que deu o seu primeiro concerto com a assistência de El-Eei D. Pedro V. Honrou o nome português ao lado de Vianna da Motta, de Casals, de Bauer e de Guilhermina Suggia, — a deusa do violoncelo.
Cooperou, além de outros, com E. Arbós e J. Thibaud — para mim, pelo sentimento e elegância, o primeiro violinista da actualidade — e ainda se engrandeceu, acompanhando Artur e Alfredo Napoleão.
Moreira de Sá foi pianista e conferente, director de orquestra e coros orfeónicos, professor de violino, piano, composição, estética, ciências matemáticas e físicas e línguas, que conhecia a fundo e foi, sem dúvida, alguém a quem o Porto deve reconhecimento eterno pelo muito que trabalhou no seu desenvolvimento artístico. Moreira de Sá legou-nos ainda uma obra notável como escritor. A vida do morto ilustre será orgulho constante da família que o estremecia e saudade imensa dos amigos que, como eu, o veneravam.
GASPAR BALTAR (Setembro de 1929)
IN MEMORIAM BERNARDO V. MOREIRA DE SÁ( Livraria Tavares Martins-Porto 1947)
Se há momentos na vida que a valem toda, ou mesmo mais que todos os outros banalmente vividos, os de hontem, passados no Orpheon, pertencem ao numero d’esses para quem soube vivel-os.
Guilhermina Suggia tocou! – N’esta affirmação poderíamos condensar toda a notícia, resumir toda a crítica do espectáculo inolvidável. Mas não exprime a gama frívola das phrases feitas, dos logares communs inexpressivos, que outros, á força de poucos nos dizerem, nos obrigarem a repetir-lhes tantas vezes. Mas com SUGGIA o caso è diverso: é Ella quem tudo nos diz com a sua Arte Divina!, emudecendo a nossa palavra, dominando com a sua originalidade a impotente monotonia do commentario.
Guilhermina Suggia tocou! Mas como em geral isto se diz de quem faz vibrar um instrumento, é preciso acrescentar que Suggia se faz vibrar a si mesmo personificando a musica, restituindo-a na vibração de todo um ser, pelo braço elegantíssimo, sob cujo impulso o arco dança cadenciadamente, pelo rosto austero ou sorridente que quasi nos quer fallar, pela mão levíssima, sob cuja imponderável pressão as cordas do violoncello são verdadeiras cordas vocaes, gemendo e cantando ou rindo às gargalhadas como uma voz sem artifício.
Onde descobrir um esforço na sua technica espontânea? – o esforço existiu na persistência de muitos annos de estudo: mas hoje violoncello e Suggia são elementos de uma só alma, exprimindo-se um ao outro tão sincera e verdadeiramente, que ouvir a Artista é possuíl-a por instantes, espiritualmente, na intimidade do nosso coração.
Não houve, pois, não pode haver um concerto de Suggia. Vibra uma sala sob o influxo do seu nervo electrizador – e eis tudo. O violoncello, o arco, as cordas, sem a menor denuncia que revele a sua essência material diluem-se no frenesi da Artista, evaporando-se no calor do seu espírito, e ouvimos mais que musica, o segredo de uma emoção em alvoroço.
O programma…expressamente preparado para nos dar esta formidávil impressão era uma synthese de obras primas escolhidas entre as mais difficeis que o classicismo e o romantismo têem creado.
A primeira parte com a Sonata de Sammartinni, o adágio e o allegro de Boccherini, o minuetto de Haydn e ainda a série em dó de Bach, foi simplesente formidável. Acumularam-se ali, principalmente no ultimo numero, todas as difficuldades da mecânica, todas as mais requintadas expressões da virtuosidade sem excluir um sentimentalismo que só nervos especiaes traduzem.
O publico fascinado fez taes evasões e tantas chamadas á artista – que ela não descançou sem tocar fora do programa o preludio da série em Sol de Bach.
A segunda parte continha obras mais modernas e românticas, mais próximas ainda do nosso coração. Por isso o enthusiasmo recrudesceu com o “Canto da Floresta” de Dvorak, o “Trecho Popular” de Schumann e muito especialmente depois da execução da “Gavota” de Henschel e do “Vito” de Popper, o grande entre os maiores do violoncello.
Perante a ovação do publico, Suggia intercalou n’esta altura, fora do programma a “Allemande” de Sénaillé, terminando, depois de breve intervalo, com a Sonata de Valentini, obra monumental em que os efeitos de duas a três cordas, com trilos de duas e acompanhamento de terceira, as escalas e as cadencias se sucedem n’um imponente cosmorama sonoro.
O publico, perante tanta beleza, não queria deixar a artista retirar-se, a despeito da sua evidente fadiga.
Suggia tocou então…extra-programma, a “Serenata Hespagnola” de Glazunnof e “ Depois de um Sonho” de Fauré.
D. Leonilde Moreira de Sá e Costa, que acompanhou magnificamente ao piano compartilhou dos aplausos a Suggia dirigidos, e esta recebeu ainda muitas flores, o retrato e um brinde de Moreira de Sá, brindes de Teixeira Lopes e do Orpheon, saudações de velhos amigos da infância, muitas senhoras, o camarim sempre cheio, e dois grandes abraços: o de Guilherme Ferraz, primeira pessoa que a apresentou em publico ( foi em Matozinhos, tinha Suggia 7 annos) e o de seu pae, a rever-se no triumpho colossal da filha querida.
Coincidência interessante: fazia hontem 19 annos que Suggia, pela última vez, tinha tocado no Orfeon.
C.S. - Carlos Santos (?)( 20/5/1923)
(Cedido por João Pedro Mendes dos Santos)

( do livro HISTÓRIA DA MÚSICA PORTUGUESA, de João de Freitas Branco, reeditado recentemente )
1904 – 27 de Agosto - A jovem violoncelista Guilhermina Suggia, já então artista muito talentosa, contava 19 anos, mas tinha, para a idade, bastante pratica de audições em público, pois não esqueçamos que – tendo começado a aprender a tocar violoncelo aos 6 anos (usando um pequeno violoncelo emprestado pelo 1º Visconde de Villar d’Allen) – dera o seu 1º concerto, no “Orfeon Portuense” (Teatro Gil Vicente, Palácio de Cristal) apenas com pouco mais de 10 anos, em Maio de 1896.
As irmãs Suggia vieram de comboio, acompanhadas pelo pai, Augusto Suggia.
A violoncelista, que viria a ser uma celebridade mundial, tocou:
Svendsen - Romance
Popper - Spinnlied
Chopin - Nocturno para violoncelo