
Pormenor do tecto com frestas e manchas provocadas pela água da chuva.
Quando tomarão os responsáveis consciência de que é imperioso SALVAR O NOSSO PATRIMÓNIO?!

«Rádio Semanal», edição de «O Jornal do Comércio e das Colónias", em seus números de 15 e 22 de Maio de 1937, refere-se ao êxito obtido pela Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, e transcreve o que a imprensa diária do Porto disse do acontecimento.
Refere também que os concertos de 4 e 5 do mesmo mês tiveram, respectivamente, a colaboração de Maria Alice Ferreira e de Guilhermina Suggia e comenta assim:
«Dos aplausos delirantes, sem fim, compartilharam as violoncelistas Maria Alice Ferreira e Guilhermina Suggia — esta um grande nome em qualquer parte do mundo e aquela, sua discípula dilecta e querida, que firmou os seus grandes créditos na noite de 4, honrando a sua professora. Estes dois concertos ficarão, no Porto, inolvidáveis.»
“Rádio Semanal – V-1937”
(Cedido por Luís Sá Pessoa)

...Für das Cello herrschte in dieser ruhmvollen Zeit Casals unumschränkt, gefolgt von jenen, die von seiner Cellorevolution inspiriert waren wie Gaspar Cassadó, Guilhermina Suggia, Maurice Eisenberg, dann Gregor Piatigorsky oder Emanuel Feuermann.
"GROSSE CELLISTEN" Piper Verlag GmbH, Munich 2007 (www.piper.de)

PROGRAMA
I
Alberto Gomes da Silva (-1795)
6ª Sonata em Ré Maior para Cravo
Allegro - Minuetto
João Baptista André Avondano (- 1800)
1º Dueto para dois violoncelos
Andantino - Largo - Allegro Assai
João Baptista André Avondano (- 1800)
3ª Sonata para violoncelo e baixo contínuo
Andantino - Largo - Minuetto con Variazione
II
Franz Keyper (1756 – 1815)
Romance e Rondo para contrabaixo e cravo
Luigi Boccherini (1743 - 1805)
Sonata em Lá Maior para violoncelo e baixo contínuo
Adagio - Affetuoso - Allegro
Giacomo Bassevi Cervetto (1682-1783)
1ª Sonata para dois violoncelos e baixo contínuo
Adagio - Minuetto I e II - Allegro
AVONDANO ENSEMBLE
MUSEU DA MÚSICA PORUGUESA - CASA VERDADES DE FARIA
Av de Sabóia, 1146
MONTE ESTORIL
Tel 214815904/02
Este agrupamento instrumental reúne um conjunto de músicos com um objectivo central comum: executar e divulgar a música instrumental dos Pós-Barrocos Europeus, em particular a que era cultivada nos diversos contextos sociais portugueses de finais do século dezoito e inícios do século XIX.
Após um período inicial de trabalho, em 2005, o agrupamento emerge com a sua formação de base de dois violoncelos, contrabaixo e cravo na sequência da tomada da decisão de prosseguir com o trabalho entretanto desenvolvido, sendo Catherine Strynckx, Miguel Rocha, Adriano Aguiar e João Paulo Janeiro os seus membros fundadores.
Esta decisão consubstancia-se num projecto que obteve o apoio do Instituto das Artes, da Casa da Música, da Câmara Municipal de Cascais, e que se encontra em finalização, no qual se integra a gravação discográfica das quatro sonatas e dois duetos de João Baptista André Avondano em instrumentos históricos de referência do Museu da Música, designadamente o violoncelo Stradivarius ‘Rei de Portugal’ e o cravo Antunes, bem como a edição crítica destas obras e a realização de concertos.
A adopção do apelido Avondano para a designação deste agrupamento decorre, por um lado, deste ter iniciado a sua actividade executando as obras de João Baptista André Avondano, e por outro, da evocação da família de músicos com o mesmo nome, de origem italiana, que desempenhou um papel marcante na prática e composição musicais do século dezoito em Portugal.
No seu breve percurso, o Avondano Ensemble realizou concertos no Centro Cultural de Belém, nos Encontros de Música Antiga de Tomar, em Castelo Branco e em Cascais.
Recentemente actuou nos “Dias da Música” no CCB e tem previsto concertos de lançamento das edições aqui mencionadas no início de Maio de 2008, em Cascais – Centro Cultural – e no Porto – Casa da Música

Cannes, França, 19 Mai (Lusa) - O realizador português Manoel de Oliveira manifestou-se hoje "muito sensibilizado por finalmente ter recebido a Palma de Ouro" no Festival Internacional de Cinema de Cannes, onde foi homenageado.
A organização do festival prestou hoje um tributo ao realizador português atribuíndo-lhe a Palma de Ouro pela carreira, associando-se também aos cem anos que Manoel de Oliveira celebrará em Dezembro.
"Ao longo de um século eu cresci com o cinema e hoje eu sei que foi o cinema que me fez crescer. Viva o cinema!", exclamou Manoel de Oliveira no Grand Théâtre Lumière, onde foi longamente aplaudido.
Manoel de Oliveira recebeu o prémio das mãos do actor francês Michel Piccoli, numa cerimónia onde marcaram presença o júri de Cannes, o realizador norte-americano Clint Eastwood e o presidente da Cinemateca Portuguesa, João Bénard da Costa.
"Esta foi a melhor forma de receber este prémio", disse Manoel de Oliveira emocionado, sublinhando que não gostaria de ser distinguido em competição com os seus colegas realizadores.
Na assistência estiveram ainda Christine Albanel, ministra da Cultura de França, e José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia.
O ministro da Cultura português, José António Pinto Ribeiro, não esteve na cerimónia, "por um contratempo de trabalho de última hora", mas estará presente no jantar de hoje homenagem ao realizador, disse à Lusa o assessor, Rui Peças.
Na cerimónia desta tarde foram exibidos o filme "Um dia na vida de Manoel de Oliveira", realizado pelo presidente do festival, Gilles Jacob, e a curta-metragem documental "Douro faina fluvial".
Manoel de Oliveira mantém uma relação muito próxima com o cinema francês, com co-produções e a participação de actores como Catherine Deneuve e Michel Piccoli nos seus filmes e tem sido presença assídua em Cannes.
"Os Canibais" (1988), "O convento" (1995), "A carta" (1999), "Vou para casa" (2001) e "O Princípio da Incerteza" (2002) estiveram nomeados para a Palma de Ouro, o prémio máximo atribuído em Cannes.
"Viagem ao Princípio do Mundo" (1997), protagonizado por Marcelo Mastroianni, foi distinguido com o prémio FRIPESCI e com o prémio do júri ecuménico e "A carta" (1999), com Chiara Mastroianni, recebeu o prémio do júri na edição de 1999.
Em 2007, quando o festival de Cannes cumpriu 60 edições, Manoel de Oliveira foi um dos 35 realizadores convidados pela direcção do evento para realizar uma curta-metragem subordinado ao tema "A cada um o seu cinema".
SS.
Lusa/fim

(Cedido por Luís Sá Pessoa)


Não me é permitido, precisamente por não ter competência para isso, fazer crítica ao recital que se efectuou na passada 4ª-feira, no âmbito da petição "Alguém Acuda ao Salão Nobre do Conservatório, por favor!". Acho que foi, no entanto um excelente recital.
Muito embora todos os destinatários da petição (Presidente da República, Presidente da Assembleia da República, 1º Ministro, Ministra da Educação, Ministro da Cultura e Presidente da Câmara Municipal de Lisboa) tenham sido convidados nenhum esteve presente ou se fez representar.
Foram também convidados todos os Grupos Parlamentares (e todos os deputados em nome individual). Apenas estiveram no Salão Nobre 5 (CINCO) deputados. Assim, e por ordem alfabética:
-Deputada Ana Drago (BE)
-Deputado Fernando Negrão (PSD)
-Deputada Matilde Sousa Franco (PS) - relatora na AR da petição
-Deputado Miguel Tiago (PCP)
-Deputado Pedro Quartin Graça (PSD)
Foi pena. Mas haja esperança!


No âmbito da petição “ALGUÉM ACUDA AO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO, POR FAVOR!” e numa iniciativa conjunta do Fórum Cidadania Lx e da Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa, realizar-se-á no próximo dia 14 de Maio, pelas 18,30h, no SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL de LISBOA, sito na Rua dos Caetanos, 23 a 29 (ao Bairro Alto) – Lisboa, um recital com a colaboração, entre outros, de:
ANTÓNIO ROSADO (ex-aluno da Escola de Música do CN), que tocará de Debussy:
- La cathédrale engloutie , prelúdio
- Pour les arpèges composés , estudo
- Pour les cincq doigts, d'aprés Monsieur Czerny , estudo
JORGE MOYANO (ex-aluno da Escola de Música do CN), que tocará de George Gershwin
- Raphsody in Blue (versão para piano)
MARIA DE JESUS BARROSO (ex-aluna da Escola de Teatro do CN)
NB- Este recital é, essencialmente, dedicado aos destinatários da petição - Presidente da República, Presidente da AR, 1º-Ministro, Ministros da Educação e Cultura, Presidente da CML, Deputados e Vereadores - e Comunicação Social.
Gostaríamos de contar com a sua presença.
Por motivos imprevistos a actriz Glória de Matos não vai poder participar no recital pelo que nos pede para apresentarmos as suas desculpas

Porto, 12 Mai (Lusa) - A escultora Irene Vilar faleceu hoje no Hospital de São João, no Porto, onde se encontrava internada há mais de um mês, disse hoje à Lusa fonte hospitalar.
Aqui, neste grupo, em 27 de Junho de 2007 no descerramento da placa de sua autoria na casa de GUILHERMINA SUGGIA.
Ficará a sua obra e a sua memória.
Autora de uma vasta obra de escultura, medalhística, numismática e de ourivesaria, Irene Vilar, que tinha 77 anos, nasceu em 1930, em Matosinhos, município ao qual fez, em 1976, um legado de parte da sua obra escultórica.
Licenciou-se pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto, com 20 valores, na tese de Escultura, tendo sido discípula de Barata Feyo e Dórdio Gomes.
Depois de formada foi bolseira do Instituto de Alta Cultura e da Fundação Calouste Gulbenkian, no estrangeiro.
Participou, com escultura e medalhística, nas grandes exposições realizadas em Portugal, entre as quais "Cristo fonte de esperança" (Porto), "Morte e Transfiguração" (Sociedade Nacional de Belas Artes - SNBA, Lisboa), "Natividade 2000" (Mosteiro dos Jerónimos) e "100 anos - 100 artistas" (SNBA, Lisboa).
A sua obra escultórica encontra-se dispersa por Portugal, Alemanha, África do Sul, Brasil, Bélgica, Holanda e Macau, tendo sido apresentada em duas exposições recentes: "Modelar o mistério", Lisboa, Universidade Católica Portuguesa (2003) e "Do gesto ao gesso", Matosinhos (2004).
Irene Vilar representou Portugal em diversos certames internacionais, nomeadamente nas Bienais de São Paulo, Paris, Colónia, Roma, Florença, Estocolmo, Londres, Helsínquia, Budapeste, Neuchâtel, Weimar e Roterdão.
Realizou, de entre muitos outros, os monumentos a Camões, Garcia de Orta e Guilhermina Suggia, no Porto; ao Bombeiro, em Paredes; ao Artilheiro no Regimento de Artilharia 5, em Vila Nova de Gaia; a São Rosendo, em Santo Tirso; ao Pescador, a Florbela Espanca e a Abel Salazar, em Matosinhos; a São Miguel Arcanjo no Comando-Geral da PSP, em Lisboa; a Dom António Ferreira Gomes, ao Padre Américo, assim como o conjunto de nove esculturas na Rotunda do Cameirinho, em Penafiel.
Concebeu vários monumentos a Fernando Pessoa, nomeadamente em Durban (África do Sul), São Paulo (Brasil) e em Ixelles, Bruxelas, na Bélgica.
A convite do Governo de Macau executou, em 1996, o Monumento Abraço para o Jardim Luís de Camões.
De carácter monumental são igualmente as esculturas para o Sheraton Porto Hotel, a fonte Universo para o SMAS, no Porto; Mundo para os jardins do CAM, da Fundação Calouste Gulbenkian.
São também da sua autoria o Monumento aos 500 Anos do Teatro, em Guimarães (2003) e a estátua da Imaculada Conceição para os jardins da Universidade Católica, em Lisboa (2004).
Executou vários baixos-relevos para os tribunais de Valença, Moimenta da Beira, Paços de Ferreira, Porto e Santo Tirso.
Da vasta e inovadora produção no universo da expressão cristã, deu recentemente corpo a obras como: Cristo Ressuscitado, na Igreja dos Padres Carmelitas, na Foz do Douro (Porto) e São Miguel, na Igreja da Maia, entre muitos outros.
Está representada em colecções particulares e oficiais, nomeadamente da Secretaria de Estado da Cultura, Museu Amadeo Souza-Cardoso, Biblioteca-Museu de Vila Franca de Xira, Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto, Museu do Chiado, em Lisboa, Património Artístico de Matosinhos, entre outras.
Para a Imprensa Nacional-Casa da Moeda executou várias moedas, destacando-se as da Batalha de Ourique, D. Afonso Henriques, de Amadeo Souza-Cardozo, Antero de Quental, Camilo Castelo Branco, Pauliteiros, Banco de Portugal e Porto 2001, Capital Europeia da Cultura.
Em 1991, foi publicada uma obra com parte da sua criação escultórica, intitulada "Irene Vilar: quem me dirá quem sou?", com texto de Maria da Glória Padrão (Edições ASA).
Em 1997, por iniciativa do Governo de Macau, é publicado o livro "Abraço - Uma escultura para Macau".
A Câmara Municipal de Matosinhos editou em 2004 "Do gesto ao Gesso", com textos de João Antunes e de Jorge Araújo.
Irene Vilar recebeu várias distinções, nomeadamente as de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, Medalha de Mérito, grau Ouro, da Câmara Municipal do Porto, Cidadã do Ano 1989/90, do Lyon`s Club de Matosinhos e Medalha de Mérito Dourada da Câmara Municipal de Matosinhos.
PF.
Lusa/Fim

Foi a um destes recitais que Virgínia Woolf assistiu, falando disso no seu Diário (na versão inglesa já que na versão portuguesa, editada pela Bertrand, isso foi suprimido. Talvez por não saberem quem tinha sido Guilhermina Suggia e acharem que não seria importante)

Compositor e violoncelista português, João Baptista André Avondano fez parte da Orquestra da Real Câmara e estudou em Paris em 1769 com Jean-Pierre Duport, tendo publicado nessa cidade e em Lyon estas Quattro Sonate e Due Duetti per due Violoncelli dedicati a Sua Maestà Il Re di Portugallo dal Sig.r Gio: Batista Andrea Avondano.
Este projecto contou com a participação de várias entidades, tendo recebido o financiamento da Direcção-Geral das Artes, Casa da Música e Câmara Municipal de Cascais com apoios do Museu da Música, LPI, J. A. Santos, Lusitânia e Museu dos Coches.
Na gravação deste CD duplo foram utilizados dois instrumentos históricos do Museu da Música: o violoncelo Stradivarius “Rei de Portugal” (1725) e o cravo Antunes (1758).
O Avondano Ensemble desenvolveu este projecto tendo como base o único exemplar conhecido destas obras, que se encontra na Staatsbibliothek de Berlim com a referência KH.M. 122 – Rism A 2946 e dos vários manuscritos aí existentes.
A publicação em partitura contém uma edição crítica, com uma versão em notação actualizada e a realização harmónica do baixo contínuo, para além de um fac-simile da edição original.

In diesen Jahren unterrichtete Casals drei Schüler über làngere Zeit, die Portugiesin Guilhermina Suggia, die für sieben Jahre auch seine Lebensgefährtin war, den Engländer Charles Kiesgen und den katalanischen Landsmann Gaspar Cassadó. Suggia war schon bei Julius Klengel in Leipzig ausgebildet worden, ein schlankes, feuriges Mädchen mit fesselnden grossen braunen Augen. Suggia machte eine bemerkenswerte Karriere, die allerdings nach der heiklen Geschichte mit Casals erst richtig began.
De “GROSSE CELLISTEN” de Harald Eggebrecht – Edições PIPER –München (www.piper.de)

categoria:Pintura
título:A Fama Coroando Euterpe
autor(es):Malhoa, José (Caldas da Rainha, 1855 - Figueiró dos Vinhos, 1933)
datação:XIX d.C. - Época Contemporânea
dimensões:altura: 92 largura: 61,5
nº de inventário:Pin 52
descrição:Representação alegórica. À esquerda uma figura feminina, sentada, com cabelos apanhados, face voltada para o observador e cabelo castanho; usa túnica branca sem mangas, com botão sobre os ombros e panejamentos vermelhos sobre as pernas; o seu braço direito, afastado do corpo, segura um bastão ou instrumento de sopro metálico, invertido, apoiado sobre a zona do assento. À direita da composição outra figura feminina, de pé, usa túnica azul apanhada na coxa, na cintura e no ombro esquerdo por meio de botões; apresenta-se meio desnudada e segura na mão esquerda um instrumento de sopro; os seus braços estão afastados do corpo, o rosto está inclinado com as pálpebras cobrindo os olhos; usa grinalda de folhas verdes no cabelo loiro, comprido, ondulado e caído sobre o ombro esquerdo. Por trás, duas asas de tons violetas e rosados. No centro inferior da composição encontram-se rosas espalhadas pelo chão, uma lira, um afloramento pedregoso e um instrumento de sopro. Fundo em vários tons esbranquiçados.
proveniência/incorporação: Doação - Oferta de Luís Pinto
Avondano Ensemble
Catherine Strynckx e Miguel Rocha (violoncelos)
Adriano Aguiar (contrabaixo)
João Paulo Janeiro (cravo)
O Avondano Ensemble lançará, nos próximos dias 9 e 11 de Maio do corrente ano, uma edição em CD e outra em partitura das 4 sonatas para violoncelo e baixo contínuo e 2 duetos para 2 violoncelos de João Baptista André Avondano ( -1800).
Compositor e violoncelista português, João Baptista André Avondano fez parte da Orquestra da Real Câmara e estudou em Paris em 1769 com Jean-Pierre Duport, tendo publicado nessa cidade e em Lyon estas Quattro Sonate e Due Duetti per due Violoncelli dedicati a Sua Maestà Il Re di Portugallo dal Sig.r Gio: Batista Andrea Avondano.
Estes eventos terão lugar no dia 9 de Maio de 2008 em Cascais, no Centro Cultural, às 21.30 horas e no dia 11 de Maio de 2008 no Porto, na Casa da Música, às 18.00 horas.
Em cada uma destes lançamentos o Avondano Ensemble realizará um momento musical, com 2 obras destas edições.

Quem é esta Maria Alice Ferreira? — preguntava-se, ontem, à noite, antes do concêrto, nas salas, nos vestíbulos, nos corredores do Teatro Rivoli. E, depois do concêrto, quando os quási dois milhares que a tinham ouvido deixavam os seus lugares, já não se preguntava:i Quem é esta Maria Alice Ferreira?, já não se murmurava em ar de argumento que tudo justificava e explicava: Dizem que é filha do grande industrial Delfim Ferreira! Exclamava-se, assombradamente, encantadoramente: É uma grande artista !
Esta frase sintética, expressiva, lapidar, colhida em muitas centenas de bôcas, em tantas bôcas, por certo, quantas as pessoas que haviam assistido ao concêrto, serve para aferir, grosso modo, a impressão do público.
Desconhecido, poucas horas antes (ou conhecido, apenas através das referências e dos anúncios dos jornais), o nome de Maria Alice Ferreira conquistara, efectuado o concêrto, a celebridade a que todos os artistas, legitimamente aspiram e que só excepcionais circunstâncias lhes permitem, a maior parte das vezes, obter.
O grande e ilustre nome de Guilhermina Suggia, que havia, naturalmente, servido de reforço para a curiosidade dos musicófilos, saíra na verdade, mais prestigiado, ainda, da audição. A discípula, em tudo e por tudo, era digna da mestra. À coroa de glória desta somava-se, com o triunfo indiscutível daquela, mais um belíssimo florão. Note-se, porém, que esse triunfo indiscutível é, principalmente, obra de Maria Alice Ferreira, da sua extraordinária personalidade artística das suas qualidades assombrosas de concertista. A mestra poliu, afeiçoou, integrou nos cânones da arte-ciència o temperamento duma artista nata, que é, já, grande e será maior se porfiar, rumo ao futuro de glória que, desde ontem, ficou aberto diante dela. A mestra disciplinou, metodizou, deu o inconfundível retoque a esse temperamento de excepção. E o resultado patenteou-se, ontem, de modo impressionante a um público enorme e entusiasmado que, interrogando-se, duvidando, talvez, a princípio, encontrou a resposta mais rigorosa e se certificou, em absoluto, finda a audição reconhecendo e proclamando, entre si, esse reconhecimento: Esta Maria Alice Ferreira, afinal, é uma grande artista!
De “O COMÉRCIO DO PORTO” de 5-V-1937
Cedido por Luís Sá Pessoa