Após a feliz constituição em Junho passado da nossa Associação Guilhermina Suggia, cumpre, enquanto associados fundadores, encontrarmo-nos para eleger os primeiros órgãos sociais que orientarão a associação nos próximos três anos. O momento é de alegria e de desafio: uma oportunidade para, na permanência, homenagear Suggia e a sua arte e, também, a exigência que tal ocorra ao nível do seu merecimento.
São pois estas duas ideias de constância e de qualidade na acção que nos impelem a, solidariamente, nos candidatarmos aos vários órgãos sociais.
Mas sendo à Direcção que compete a maior criatividade, iniciativa e gestão das criatividades e iniciativas de todos, está, e sente-se, esta obrigada a apresentar, umas linhas programáticas para o trabalho a desenvolver.
Como se disse e, primeiro de tudo, homenagear Suggia na permanência e, assim, levar o seu nome a passar de pretexto para efemérides de elites para acicate de actividade musical e alargadamente artística. Suggia é presente e futuro. A estreita periodicidade de Encontros Suggia dedicados à promoção das artes, do espectáculo, do saber em que se estimulem o diálogo e a controvérsia em grande abertura de espíritos é um compromisso que nos propomos assumir.
Máximo sabor e pertinência terão estes encontros quando acolhidos na casa da Rua da Alegria, no Porto, enquadrados por teres e haveres que recordem e revivam Suggia no tempo tanto em que ela aí morou. Almeja-se assim que esta moradia se torne no mais próximo futuro uma Casa-Museu Guilhermina Suggia com uma gestão viva e de viabilidade consistente. Não nos arredaremos deste caminho.
A arte de Suggia foi eminentemente a arte de fazer soar o violoncelo. Resta-nos, contudo, para o nosso ouvido ora a memória que em alguns existe e subsiste por favor dos tempos ou, tão só, para muitos, abreviadamente, o registo em CD de uma parte dos muitos discos que a violoncelista gravou. Impõe-se a edição da integral das gravações de Suggia. Não é fácil consegui-la, também, mas tentaremos.
Por último, nestas linhas muito gerais, deixamos uma proposta ambiciosa porque temos convicção vincada de que, para bem mostrar Suggia aos portugueses e ao mundo, importa equilibrar com uma acção a ocorrer em Portugal a notoriedade que subsiste em Inglaterra da sua memória, seja pelo Prémio Suggia da Royal Academy seja, também, pelo quadro Madame Suggia de Augustus John. Falamos de um grande Concurso Internacional de Violoncelo Guilhermina Suggia, com um júri de máximo saber e notoriedade mundial e para o qual venham a verter os prémios que a instrumentista instituiu em Portugal. Bom será, ainda, que, em actividade paralela, ocorra um festival de violoncelo onde para além da promoção deste instrumento aconteçam aprendizagens, oportunidades performativas e troca de saberes e experiências.
Sabemos que não vamos chegar ao fim do percurso. Mas trilharemos este caminho com todos.
Publicado por vm em dezembro 5, 2005 10:18 AM | TrackBackParabéns Virgílio!
Depois da incúria inculta do país e do "estar-se nas tintas" das vestais e prima-donnas impbilistas, conseguiste, man!!!!!!!!
Afixado por: melómana em dezembro 6, 2005 03:27 AM