janeiro 01, 2006

GUILHERMINA SUGGIA NA ARTE MUSICAL- JANEIRO de 1930

A Arte Musical não quer deixar de assinalar nas suas colunas a passagem de GUILHERMINA SUGGIA pelo palco de uma das principais salas de concertos de Lisboa, prestando-lhe as suas homenagens e lamentando que uma artista de tal envergadura não se faça ouvir mais frequentemente na sua pátria.

Não se tem verificado felizmente para os amadores de música portuguesa, a respeito de Suggia, a verdade do ditado: “ Ninguém é profecta na sua terra!”.Felizmente, repetimos, nem o público nem a crítica Têm deixado entre nós de fazer justiça aos raros méritos de GUILHERMINA SUGGIA, eles são tão grandes que a colocam mais do que numa situação internacional ou mundial, pois lhe asseguram um lugar histórico. Como intérprete de instrumento de cordas não encontramos outra artista senhora, de igual envergadura na história da música. Tal é o facto que supre todos os encómios e todos os adjectivos; a Todi, como cantora, Suggia, como executante, são duas estrelas de igual grandeza.

E não é só na técnica, na emoção, na musicalidade, nos dons puramente musicais que Suggia se distingue. Ela é uma intelectual, um espírito cultíssimo, a que nada de belo, nada de grande que o universo encerre, deixa de interessar, e assim a podemos ouvir falar de Bach, de Wagner, de Dante, de Cervantes, de Camões, de Michel-Angelo, de Rodin ou de um simples espectáculo da natureza, com a mesma sensibilidade e a nesma erudição.

Muitos artistas em todos os países usam a bandeira nacional para encobrir as próprias deficiências. Com GUILHERMINA SUGGIA sucede justamente o contrário: ela não tem necessidade de invocar a sua qualidade de compatriota para arrancar os nossos entusiásticos aplausos, nós é que sentimos o orgulho de a chamar portuguesa e portuense para honra nossa.

Revista “ARTE MUSICAL”, Ano I- Nº 3 – 20 de Janeiro de 1930
Director:Luís de Freitas Branco

(Cedido por João Pedro Mendes dos Santos)

Publicado por vm em janeiro 1, 2006 10:32 AM | TrackBack
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