
E já em Matosinhos, na casa que habitavam na Rua do Godinho, para onde se mudam depois do Verão de 1891 - antes habitavam em Manhufe, próximo da igreja de Matosinhos - que Guil é iniciada no violoncelo. O pai é o primeiro professor. Guilhermina recusa a autoridade e consequentemente as indicações rígidas. As lições com o pai são tempestuosas quando lhe diz que ela está a exagerar no estilo da interpretação. Guilhermina parece não poder deixar de estar ligada ao violoncelo à maneira dela. Augusto Suggia não deixa, no entanto, de lhe espiar o vibrato, o legato, a arcada, reconhecendo-lhe um desmesurado talento. Guilhermina mantém a ligação quotidiana ao violoncelo e não se conhecem factos que a impedissem.
Há talvez, entretanto, um acontecimento que para ela pode ter sido insólito: o seu baptismo. Certamente sem intensas convicções religiosas decide-se baptizar Guilhermina a 6 de Janeiro de 1891. Tem ela seis anos e vai pelo seu próprio pé à Igreja Paroquial de Sto. Ildefonso no Porto inclinar a cabeça à água de bênçãos inodora. Não se reveste de nenhum fausto especial o acontecimento. Regressam a Matosinhos recolhendo-se da humidade invernosa. É possível que ela ainda tenha pegado no violoncelo.
Do livro “GUILHERMINA SUGGIA- A SONATA DE SEMPRE” de Fátima Pombo