junho 15, 2006

GUILHERMINA SUGGIA NA "MONOGRAFIA DE MATOSINHOS", DE GUILHERME FELGUEIRAS

Cultíssimo espírito de mulher, extraordinária violoncelista, assinalada portuguesa em todo o mundo musical, onde foi estrela de primeira grandeza.
Era filha dum mestre de violoncelo e artista primoroso também, Augusto Suggia, que do Conservatório de Lisboa passou ao do Porto e ali fixou residência. Na capital do Norte nasceu Guilhermina C. Mena Suggia, a 27 de junho de 1888 e ali aprendeu com seu pai e com o famoso violoncelista espanhol Pablo Casals a técnica do instrumento em que devia mais tarde adquirir grande notoriedade. Começava a refulgir no mundo musical quando, aos sete anos, se revelou assombrosa já, pela primeira vez que tocou em público, na então aristocrática, muito distinta, Assembleia de Matosinhos.
Nesta vila e num dos salões do Teatro Constantino Nerv. se conservou durante largos anos o retrato a óleo da egrégia concertista, pintado por António Alexandrino da Silva (95).

Depois são os seus triunfos repetidos no Quarteto de Música de Câmara do Orfeão Portuense, menina e moça, e os concertos sucessivos que dá, aplaudidíssimos, com sua irmã Virgínia, pianista notável também, mais tarde Madame Léon Tichon.
Ë a sua entrada no Paço Real, em Lisboa, onde Suas Majestades o Rei D. Carlos, a Rainha D. Amélia, a Rainha viúva D. Maria Pia e os príncipes, e todos os grandes de Portugal, a aplaudem e a consagram, num concerto memorável, como grande também de Portugal, entre os maiores artistas da época.
E são, depois, com 17 anos, os seus estudos por subsídio régio no Conservatório de Leipzig, onde tem como seu mestre e amigo Julius Klengel. E onde Artur Nickisch — o enorme Nickisch — meses passados, ao ouvi-la no «Gewandhaus», consente que ela repita a pedido do público entusiasmado (o que nunca se havia feito, a ninguém nesse «auditonum») o concerto de Volkmann, que havia maravilhosamente executado.
E depois, são todos os países que percorre, entre ovações do público e aplausos da crítica. São as cortes que a recebem como uma princesa — desde a estranha, do Czar da Rússia, à puritana, da Inglaterra.
Durante a guerra de 1914-1918, tocou em diversas festas de caridade em que esteve presente gente da corte inglesa, sempre com brio e relevo de verdadeira artista.
É, sobretudo, a Grã-Bretanha que ela cativa e onde, para todo o resto da vida, fica tendo os seus mais dilectos admiradores — a artista preferida de Eduardo VII, amiga de Balfour e de Austen Chamberlam que «não gostava de música», a não ser a tocada por Guilhermina Suggia; amiga da duquesa de York, hoje Rainha viúva da Inglaterra, que, sempre a requeria para os seus concertos de beneficência e, mal chegava a Londres, lhe mandava sempre um precioso ramo de orquídeas. Essa nação britânica, «onde nunca esteve em hotéis», porque de par em par se lhe abriam as portas dos palácios — disputando-lhe o convívio — das mais nobres, das mais fechadas, famílias da aristocracia inglesa.
Guilhermma Suggia como preito de gratidão pelo País que tanto a aplaudiu e acarinhou, legou o seu valioso violoncelo «Stradivarius» para fundar uma bolsa de estudo na Real Academia de Música, em Londres, violoncelo esse que foi vendido a um coleccionador por oito mil libras.
Mil páginas de ouro da sua vida se poderiam escrever. Algumas até, por mais curiosas, a contar episódios com ela passados e anedotas cheias de graça. Ou a dizer de seus gostos, da sua casa, do seu conhecido amor pêlos cães de raça — os «Scottish-terner», de preferência — ou da sua valiosa colecção de tapetes orientais. Ou até, ainda que tal não pareça, em artista de tão finos sentimento e temperamento, as suas devoções desportivas, pelo ténis, pela natação e pelo remo.
Assinalando a passagem do terceiro aniversário da morte de Guilhermina Suggia, a Câmara Municipal do Porto prestou homenagem à memória da insigne violoncelista, com várias solenidades, entre as quais o descerramento ns jardins do Conservatório de Música de um busto, devido ao cinzel de Leopoldo de Almeida.
Guilhermina Suggia, foi casada em primeiras núpcias com o grande virtuoso do violoncelo Pablo Casals, de quem foi discípula dilecta. Mais tarde divorciou-se, tendo contraído de novo matrimónio com o Dr. Carteado Mena.

Do livro”MONOGRAFIA DE MATOSINHOS” de Guilherme Felgueiras
(Cedido por Biblioteca Florbela Espanca – CMMatosinhos

VM-G.Suggia naceu a 27 de Junho de 1885 e não 1888 como é referido.
De seu nome GUILHERMINA AUGUSTA XAVIER DE MEDIM SUGGIA.A este se acrescenta CARTEADO MENA pelo seu casamento com o Dr José Casimiro Carteado Mena.

O violoncelo STRADIVARIUS foi deixado à Royal Academy of Music para atribuição, depois da sua venda, de um prémio anual ao melhor aluno de violoncelo. A Bolsa a violoncelistas solistas foi atribuída com o dinheiro que Suggia deixou depositado nos bancos ingleses ( cerca de 10.000 Libras)

Não se divorciou ( em termos jurídicos) de Pablo Casals, com quem viveu entre 1906 (?) e 1913, mas com quem nunca chegou a casar, embora o tenha referido várias vezes em correspondência

Publicado por vm em junho 15, 2006 11:35 PM
Comentários

Enfim...a avaliar pelo naco de prosa que se nos oferece, quantas mais informações assim "credíveis" não conterá esta "Monografia de Matosinhos", do sr. G. F. ???

Afixado por: carlos coutinho em julho 12, 2006 10:41 PM