Cultíssimo espírito de mulher, extraordinária violoncelista, assinalada portuguesa em todo o mundo musical, onde foi estrela de primeira grandeza.
Era filha dum mestre de violoncelo e artista primoroso também, Augusto Suggia, que do Conservatório de Lisboa passou ao do Porto e ali fixou residência. Na capital do Norte nasceu Guilhermina C. Mena Suggia, a 27 de junho de 1888 e ali aprendeu com seu pai e com o famoso violoncelista espanhol Pablo Casals a técnica do instrumento em que devia mais tarde adquirir grande notoriedade. Começava a refulgir no mundo musical quando, aos sete anos, se revelou assombrosa já, pela primeira vez que tocou em público, na então aristocrática, muito distinta, Assembleia de Matosinhos.
Nesta vila e num dos salões do Teatro Constantino Nerv. se conservou durante largos anos o retrato a óleo da egrégia concertista, pintado por António Alexandrino da Silva (95).
Depois são os seus triunfos repetidos no Quarteto de Música de Câmara do Orfeão Portuense, menina e moça, e os concertos sucessivos que dá, aplaudidíssimos, com sua irmã Virgínia, pianista notável também, mais tarde Madame Léon Tichon.
Ë a sua entrada no Paço Real, em Lisboa, onde Suas Majestades o Rei D. Carlos, a Rainha D. Amélia, a Rainha viúva D. Maria Pia e os príncipes, e todos os grandes de Portugal, a aplaudem e a consagram, num concerto memorável, como grande também de Portugal, entre os maiores artistas da época.
E são, depois, com 17 anos, os seus estudos por subsídio régio no Conservatório de Leipzig, onde tem como seu mestre e amigo Julius Klengel. E onde Artur Nickisch — o enorme Nickisch — meses passados, ao ouvi-la no «Gewandhaus», consente que ela repita a pedido do público entusiasmado (o que nunca se havia feito, a ninguém nesse «auditonum») o concerto de Volkmann, que havia maravilhosamente executado.
E depois, são todos os países que percorre, entre ovações do público e aplausos da crítica. São as cortes que a recebem como uma princesa — desde a estranha, do Czar da Rússia, à puritana, da Inglaterra.
Durante a guerra de 1914-1918, tocou em diversas festas de caridade em que esteve presente gente da corte inglesa, sempre com brio e relevo de verdadeira artista.
É, sobretudo, a Grã-Bretanha que ela cativa e onde, para todo o resto da vida, fica tendo os seus mais dilectos admiradores — a artista preferida de Eduardo VII, amiga de Balfour e de Austen Chamberlam que «não gostava de música», a não ser a tocada por Guilhermina Suggia; amiga da duquesa de York, hoje Rainha viúva da Inglaterra, que, sempre a requeria para os seus concertos de beneficência e, mal chegava a Londres, lhe mandava sempre um precioso ramo de orquídeas. Essa nação britânica, «onde nunca esteve em hotéis», porque de par em par se lhe abriam as portas dos palácios — disputando-lhe o convívio — das mais nobres, das mais fechadas, famílias da aristocracia inglesa.
Guilhermma Suggia como preito de gratidão pelo País que tanto a aplaudiu e acarinhou, legou o seu valioso violoncelo «Stradivarius» para fundar uma bolsa de estudo na Real Academia de Música, em Londres, violoncelo esse que foi vendido a um coleccionador por oito mil libras.
Mil páginas de ouro da sua vida se poderiam escrever. Algumas até, por mais curiosas, a contar episódios com ela passados e anedotas cheias de graça. Ou a dizer de seus gostos, da sua casa, do seu conhecido amor pêlos cães de raça — os «Scottish-terner», de preferência — ou da sua valiosa colecção de tapetes orientais. Ou até, ainda que tal não pareça, em artista de tão finos sentimento e temperamento, as suas devoções desportivas, pelo ténis, pela natação e pelo remo.
Assinalando a passagem do terceiro aniversário da morte de Guilhermina Suggia, a Câmara Municipal do Porto prestou homenagem à memória da insigne violoncelista, com várias solenidades, entre as quais o descerramento ns jardins do Conservatório de Música de um busto, devido ao cinzel de Leopoldo de Almeida.
Guilhermina Suggia, foi casada em primeiras núpcias com o grande virtuoso do violoncelo Pablo Casals, de quem foi discípula dilecta. Mais tarde divorciou-se, tendo contraído de novo matrimónio com o Dr. Carteado Mena.
Do livro”MONOGRAFIA DE MATOSINHOS” de Guilherme Felgueiras
(Cedido por Biblioteca Florbela Espanca – CMMatosinhos
VM-G.Suggia naceu a 27 de Junho de 1885 e não 1888 como é referido.
De seu nome GUILHERMINA AUGUSTA XAVIER DE MEDIM SUGGIA.A este se acrescenta CARTEADO MENA pelo seu casamento com o Dr José Casimiro Carteado Mena.
O violoncelo STRADIVARIUS foi deixado à Royal Academy of Music para atribuição, depois da sua venda, de um prémio anual ao melhor aluno de violoncelo. A Bolsa a violoncelistas solistas foi atribuída com o dinheiro que Suggia deixou depositado nos bancos ingleses ( cerca de 10.000 Libras)
Não se divorciou ( em termos jurídicos) de Pablo Casals, com quem viveu entre 1906 (?) e 1913, mas com quem nunca chegou a casar, embora o tenha referido várias vezes em correspondência
Enfim...a avaliar pelo naco de prosa que se nos oferece, quantas mais informações assim "credíveis" não conterá esta "Monografia de Matosinhos", do sr. G. F. ???
Afixado por: carlos coutinho em julho 12, 2006 10:41 PM