Sagrou-te Deus, minha gentil artista!
Jovem, já tens nessa cabeça loura
A doce luz – que só os astros doura,
E em que se enleva extasiada a vista
D’essas mãosinhas – que são mãos de fada,
Pendem suspensas ao escutar-te, as almas!
Vibra no espaço o estrondear das palmas,
E mal despontas na afanosa estrada!
Que serás ainda, oh ideial creança,
Filha dilecta a quem a glória ungiu?
Não sei, só sei que o coração sentiu
Nascer de novo o enthusiasmo e a Esp’rança!
28 de Março de 1901
Affonso Vargas