julho 27, 2007

GUILHERMINA SUGGIA TOCA PARA A FAMÍLIA REAL NO PALÁCIO DAS NECESSIDADES

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"Pelos portões ingressar do Real Palácio das Necessidades, notificada por um punhado de Braganças que declinam os restos de seu poder, a Guilhermina pareceria um presente de fadas. Ainda lhe determinaria o pai a toilette, pela mãe beneficiada, a de Virgínia também, já por então a seu gosto hiperbólico sobrepondo a razão protocolar, nem sequer de extrema rigidez.

Em Carlos, o rei, tão amiúde incitado ao dichote faceto, nem o tique do galanteio nem a verve do contador de caçadas a moçoila espevitaria. Amélia, sim, a rainha, aí se levantava, cumpridora de um mecenato de pouco fôlego, sobre ambas as manas, sem destrinça, projectando a agigantada figura, que a não poucos faria diagnosticar um descontrolo da hipófise. A inglória comitiva de duquesas de princípios implacáveis, ajudantes-de-campo que a custo se desprendiam do cio das debutantes, um bocejo haveria de causar em quem à celebração da Terra se votara. Distribuía a soberana seus óbulos de circunstância, rolando muito os rr, subsídios prometendo de aperfeiçoamento, sorrindo sempre, muito. Por detrás, contabilizaria Augusto o zelo de todos esses anos, as barbas cofiando como um Cronos tutelar, amigo do sucesso de suas filhas, do de Guilhermina ainda mais, tal como de trajecto próprio que se fosse esboçando. Da decisão da ajuda à sua fruição, um portulano compulsava ele, de nações a conquistar, ingentes aclamações, foyers encharcados de essências. Logo os portões se fechavam do real Palácio das Necessidades, escarvavam os cavalos, impacientes da demora, uma lufada atlântica penetrava pelo vidro, nas quelhas por onde descia a carruagem. Remetida a seu ângulo, com o delgado suor a empapar-lhe a testa, guardaria os mementos recebidos. Que faremos nós, entretanto, da existência que fica e prossegue, se congemina e se liquidou?"

do livro "GUILHERMINA" de Mário Cláudio, reeditado recentemente

Publicado por vm em julho 27, 2007 12:00 AM
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