agosto 06, 2007

GUILHERMINA SUGGIA PARTE COM SEU PAI, AUGUSTO SUGGIA, PARA LEIPZIG

o pai. Augusto Suggia aa.jpg
A cumprir seus fados desandaria Augusto, também, que na escolta de que se incumbe, a Leipzig, conduzindo a pupila, tardiamente concretiza desideratos que não desenvolvera. Embarcam em Vigo, tocam em Bremen, apreensivos da excessiva bagagem que lhes vem no encalço, como se em vera, definitiva migração fossem ambos. A algures entre os campos irá GuiIhermina aportar, aonde o exercício se lhe possibilite. Andará flanando pelas margens do Elster, a memorizar compassos e a planear glórias, agora que, por entre volumosas baforadas de charuto, lhe incute Julius Klengel, o professor, que não há trecho capitulando à liberdade de quem dele se abeire.

Instantes se davam em que convergia a natureza de ambos, por uma fala despoletada que de nenhuma outra forma se lograria proferir, o que era só a crispação do desejo. Dera já Klengel por única a ocasião, que se lhe patenteava, de uma aula de recuos que não de investidas, de assombro que não de chateza.

Filtravam os grandes vidros a luz estanhada do Inverno germânico, arrepiavase na aragem a corrente do rio. Como que por efeito do clima, tinha agora mais dúcteis os cabelos, sobre a meia face larga descaindo em bandós. De muito e recôndito sossego fazia a conversa com as cordas, admirada da frequência que soltavam. E era Leipzig, assim, a milhares de quilómetros, cintilante corpo solitário, divagando pelo espaço sidéreo.

Do livro “GUILHERMINA” de Mário Cláudio, recentemente reeditado

Publicado por vm em agosto 6, 2007 12:41 AM
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