
GUILHERMINA SUGGIA continua a queixar-se com dores. Não tem apetite e emagrece bastante. Apesar de tudo aceita tocar em 27 de Agosto de 1949 no Festival Internacional de Edimburgo, no USHER HALL e escreve à sua empregada e confidente Clarinda:
Edimburgo, 28 de Agosto de 1949
Clarinda,
Até que enfim, terminei ontem à noite os meus concertos nesta cidade que foram dois autênticos triunfos — graças a Deus tudo correu o melhor possível e eu estava bem disposta e fui felicíssima nas minhas interpretações. Foi o grande, o maior sucesso do Festival, o que representa uma grande honra para Portugal. A portuguesinha triunfou sobre todos. As salas cheias e à saída foi preciso a polícia intervir, pois não me deixavam passar e no meio da rua eram dezenas e dezenas de pessoas a dizer adeus e a aplaudir. Uma coisa extraordinária, parecia que estavam loucos. Eu sinto-me tão feliz, pois estava um tanto ner¬vosa antes de principiar, pois é uma grande responsabilidade, no meio dos maiores artistas mundiais e perante um público inter¬nacional — americanos, austríacos, noruegueses, franceses, etc., milhares de pessoas e já está mais ou menos combinada a ida à América!
Bem dizia o Dr. Castro Henriques.
Esta carta serve para as pessoas que por mim se interessaram. Lembranças às moças e António.»
Do livro “GUILHERMINA SUGGIA ou o VIOLONCELO LUXURIANTE” de Fátima Pombo