
«Minha querida Guil,
Recebi ontem a tua carta e há dias uma outra na qual me dizias que ias tocar para a T.S.F. e também um postal do barco que te levou a Londres. Vejo pela tua correspondência que estás em boa saúde e que tens tido notícias dos nossos e que eles também vão bem. (...)
Eu também gostaria de ver-te na tua passagem em Paris. Diz-me quando vens e quais são as horas livres que tens, para nos vermos seja em minha casa ou no teu Hotel. Seria ridículo passares em Paris sem nos vermos. Ou telefona para o meu marido. Se o meu marido não estiver no 'bureau', a empregada lá está para receber a tua comunicação e tu diz-lhe que és a irmã de Mme. Pichon.
Ultimamente o tempo esteve mau (...), mas domingo esteve um tempo lindo e fiz 150 quilómetros no meu lindo 'Toto' e o meu marido se deixa guiar pela sua mulherzinha, que preguiçoso, não é verdade?
Ando desesperada com tanta poeira: o meu marido me fez presente dum bom aspirador e ando sempre a aspirar e o que sai é fantástico, nunca pensei que a minha casa estava tão suja, apesar de limpar todos os dias!! Conheces esses aparelhos, talvez que já tenhas. Não há nada melhor.»
Do livro “GUILHERMINA SUGGIA ou o VIOLONCELO LUXURIANTE” de Fátima Pombo